domingo, 19 de novembro de 2017

Ajustes Directos no Município de Marvão


Já em tempos defini, como se pode ver aqui, o município de Marvão como o “campeão” no distrito de Portalegre, da contratação pela modalidade de Ajustes Directos.

Diz mais ou menos a Lei que, os municípios podem adjudicar obras por ajuste directo, isto é, sem recorreram à modalidade de “concurso público”, aquelas que tenham valor não superior a 150 000 euros. No entanto, nada proíbe e até seria aconselhável, que os ditos municípios, em obras que se aproximem desse valor, devam recorrer à consulta de mais que uma empresa, com a finalidade de conseguirem a melhor proposta e, assim, se pautarem por uma eficiente administração da coisa pública.

Um bom exemplo que isso é possível, e que deveria ser a prática, foi o último concurso promovido pelo município, referente às obras que irão arrancar no Edifício da Fronteira do Porto Roque. Em que a obra foi adjudicada a uma empresa que apresentou um valor de 52 000 euros inferior à empresa que apresentou o maior valor; e de 17 000 euros inferior à que ficou em segundo lugar. E não se pense que estamos a falar de grandes valores, a obra em causa, foi adjudicada por cerca de 340 000 euros.

Ora o que tem acontecido em Marvão, é que a modalidade privilegiada tem sido a dos tais “ajustes directos”, com a adjudicação directa a “uma qualquer” empresa e sem consulta a outras. Ainda por cima com obras, quase sempre, a roçarem o limite dos tais 150 000 euros (53% são acima dos 140 000 euros), como se pode ver no Quadro que em baixo se apresenta. 


   Quadro 1 - Obras adjudicadas no município de Marvão, por "Ajuste Directo", de valor superior a   100 000 euros, no período de 2013 - 2017

        Fonte: Portal Base : http://www.base.gov.pt/Base/pt/ResultadosPesquisa?range=-1-24&type=contratos&query=adjudicanteid%3D2785&ordering=sort%28-publicationDate%29


Esta situação é inadmissível nos tempos que correm, em que até existe uma Plataforma Electrónica para estas actividades. Possivelmente se em cada uma dessas obras, se tivessem consultado pelo menos 3 empresas, certamente o município teria poupado uns largos milhares de euros.

Fica assim o alerta para o novo mandato que agora que se inicia, para que ponham de lado estas práticas e se dê início a um novo ciclo mais eficiente e mais transparente.  


sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Cai, cai...


Porque me apetece recordar Ary...


quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Indignado e revoltado...


Que país é este de santos e de bruxas obscurantistas; de rádios que nos debitam 24 sobre 24 horas de músicas histéricas cantadas em línguas barbaras por gajas e gajos sentados em sanitas na hora de defecar; das televisões dos programas da cantiga “cu pra baixo, cu pra cima”, de concursos de sexo semiexplícito (e explícito) ao vivo para velhinhas de 80 anos, de cozinheiros, costureiras e alfaiates (falta o das lavadeiras); de noticiários intermináveis sobre concursos quantitativos de simpatia e emoções dos governantes, etc., etc.


E nos escondem relíquias como estas...







terça-feira, 31 de outubro de 2017

domingo, 15 de outubro de 2017

E agora Marvão?

Passaram duas semanas desde que a comunidade marvanense foi chamada a pronunciar-se, em eleições autárquicas, sobre o que queria, e quem queria, para governar o concelho nos próximos 4 anos.

De uma coisa podemos ter certeza e concluir: desta vez não houve escassez de alternativas de escolha. Podiam não ser os melhores marvanenses a organizarem-se e apresentarem-se a sufrágio, mas esses se existem, não se sabe onde estão. Foram, portanto, aqueles que têm coragem e parecem preocupar-se com a administração da coisa pública, que quer queiramos ou não, por alguém terá de ser feita.  

Mas as perguntas que todos fazem hoje: é quem é que terá ganhado verdadeiramente as eleições, se ficámos melhor ou pior e se terá valido a pena as alternativas que foram criadas. Eu tenho a minha opinião e, é essa, que aqui quero partilhar convosco.

De uma coisa tenho mais uma vez a certeza é que, no actual sistema democrático português, quer gostemos ou não, o povo é soberano nas suas escolhas e os resultados obtidos emanam da vontade de uma maioria conjuntural no tempo e no espaço, por isso tem de ser respeitada. Se o povo assim determinou, pois que assim seja.

Passemos então à finalidade deste artigo e tentar analisar, de forma objectiva, os resultados do que se passou e o que mudou desde o dia 2 de Outubro.

1 – O Movimento Independente Marvão para Todos.

Fica sempre bem começarmos pela nossa casa, olharmos para dentro de nós, reflectirmos e encontrarmos explicações para o sucedido. De uma maneira geral o Movimento Independente não obteve os resultados que pretendíamos e que eram se não fosse possível ganhar as eleições (algo que todos sabíamos ser no actual contexto praticamente impossível), como mínimo eleger candidatos para todos os órgãos, sobretudo e pelo menos, um vereador (a) para a Câmara Municipal. Faltaram-nos, talvez, cerca de 50 votos.

Acabámos por eleger apenas 4 pessoas (8% do total de cargos em disputa): 2 para Assembleia Municipal, 1 para a Assembleia de Freguesia de SA das Areias e 1 para a Assembleia de Freguesia de SS da Aramenha.

Soube a pouco, muito pouco, para aquelas que eram as nossas perspectivas e para aquilo que foi o nosso trabalho ao longo de 3 anos. É, portanto, em minha opinião, em termos de resultados uma derrota. Claro que existem muitas explicações e atenuantes, mas essas, por agora, ficam para outras núpcias.

A pergunta que urge fazer para reflexão futura é se, no contexto marvanense, alguma vez um movimento independente pode vir a ser governo. E digamos que, objectivamente, à luz do histórico já tentado, independentemente das pessoas que os integrem, será muito difícil. Falta, no entanto, uma opção: REPETIR (que foi algo que ainda não foi feito) daqui a 4 anos. Esta será a questão que se põe ao Marvão para Todos.

Até lá, resta-nos dignificar os cargos para que fomos eleitos, respeitar os nossos valores e princípios e representar os cerca de 300 eleitores que votaram em nós. Na democracia nem só a voz dos vencedores tem o direito de existir. O direito e o dever de oposição são de uma importância extrema e, às vezes, tão importantes como a governação. Será aí que os marvanenses nos podem encontrar e contar conosco.         

2 – O Partido Socialista

Em minha opinião o Partido Socialista foi o maior perdedor destas eleições, apesar de ter ganhado 4 dos seis órgãos em disputa. Tendo o seu grande adversário histórico, o Partidos Social Democrata, “partido” em duas candidaturas (PSD e Viver Marvão) e certamente ainda alguns (muitos) votos do Movimento Independente, o PS falhou o seu grande objectivo que era: ganhar as eleições para a Câmara Municipal.

O PS terá de fazer também uma grande reflexão porque é que tal sucedeu e terá, tal como o Marvão para Todos, olhar primeiro para dentro de si. Há no entanto, em minha opinião, alguns dados que não devem ser ignorados:

1 – Porque é que o somatório de votos para as Assembleias de Freguesia são superiores em 200 votos do que para a Câmara Municipal? Sendo que em SA das Areias esse valor foi cerca de 100 votos e em Santa Maria 53 votos;

2 – Porque é que com escolhas de nomes de candidatos completamente diferentes do que há 4 anos; com um governo (vereação do PSD)  desgastado e em fim de ciclo, com uma campanha megalómana em meios materiais e humanos, apenas conseguiram mais 40 votos do que em 2013 (713 - 671)?

Se não encontrarem respostas rapidamente, começarem a trabalhar a sério em alternativas, se só pensarem em eleições e candidatos à pressa 6 meses antes das próximas eleições, arriscam-se a mais 12 anos sem cheirarem a vitória na Câmara de Marvão.

3 – Coligações CDS/PPM “Viver Marvão”

Quase poderia afirmar, caso as suas expectativas não fossem outras (Conquistar a Câmara), que José Manuel Pires e a sua Coligação, teriam sido os vencedores destas eleições autárquicas.

Ao conseguir um resultado de 19 % para a Câmara Municipal (417 votos), eleição de 7 candidatos (1 Câmara + 3 AM + 1 Areias + 2  Aramenha), visto de fora, podemos dizer que foi um bom resultado. No entanto, quando sabemos que o grande objectivo desta candidatura era de ganhar a Câmara Municipal e demonstrar que ele, José Manuel Pires, era o melhor vereador do executivo em 12 anos, e que o povo de Marvão o apoiava maioritariamente (dizia ele); temos que admitir que, também esta candidatura, dificilmente pode ser tida como a vencedora destas eleições em Marvão.

Se juntarmos aos resultados obtidos as polémicas com que se envolveu com a restante vereação, a sua rotura com o PSD local onde certamente será difícil voltar, as acusações que fez ao candidato vencedor, a sua não recomendável práxis enquanto vereador (Empresas pessoais envolvidas em concursos municipais), etc.; José Manuel Pires jogou aqui a sua grande cartada e, não ganhou.

Pelo que, em Marvão, ele não terá lá sido vencedor.

4 – PSD e Luís Vitorino  

Os eleitores de Marvão elegeram Luís Vitorino para presidente da Câmara Municipal. E o PSD, ao fim de 12 anos de executivo maioritário, manteve a presidência da Câmara de Marvão.

Estes 2 factos, só por si, parecem reveladores de quem foi o vencedor das últimas eleições autárquicas no concelho Marvão. No entanto talvez não seja bem assim, senão vejamos:

- Esta candidatura do PSD perdeu metade dos votos em relação a 2013 (1375 para 730);
- Perdeu a maioria absolutíssima na câmara municipal. Passou de 4 para dois eleitos;
- Não conseguiu sequer eleger os eu “líder espiritual” (Vítor Frutuoso) que passa de presidente para nem sequer ter lugar como vereador;
- Perde a sua emblemática Junta de Freguesia (SS da Aramenha) onde foi poder em 24 dos últimos 32 anos de poder autárquico; e passa de primeira para terceiro;
- Perde a maioria absoluta na Assembleia Municipal, passando de 11 para 6 membros, praticamente metade;

Por tudo isto Luís Vitorino não poderá proclamar vitória e, o PSD, tem de pensar muito bem toda a sua estratégia futura e o que anda a fazer por estas bandas.


A conclusão a tirar destas eleições é que o poder absoluto caiu em Marvão. Só por isso valeu a pena a conjuntura criada. A partir de agora e com a tomada de posse dos novos órgãos autárquicos, terá de existir uma nova forma de governar o concelho, baseada em negociação e equilíbrios, com consideração por todos os representante eleitos.  

Esperemos que, cada uma das formações com os mandatos que o povo lhes conferiu, saibam assumir as suas responsabilidades. A quem os marvanenses conferiram o poder de governar que o façam com elevação em prol do bem comum; e aqueles que na oposição, e em maioria em diversos órgãos, sejam criteriosos e exigentes na apreciação e fiscalização dos que governam.


Se assim for, certamente, a apreciação ou conclusão sobre quem terá ganhos as eleições em Marvão seja o menos importante; terá valido a pena a construção de todas estas alternativas e, talvez, os marvanenses  venham a beneficiar destes resultados e, finalmente, não se arrependam do seu voto em 2017.     

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Sabe sempre bem recordar...


Ai, ai senhor das furnas que escuro vai dentro de nós, rezar o terço ao fim da tarde só para espantar a solidão, e rogar a deus que nos guarde, confiar-lhe o destino na mão. Que adianta saber as marés, os frutos e as sementeiras, tratar por tu os ofícios, entender o suão e os animais, falar o dialecto da terra, e conhecer-lhe o corpo pelos sinais? E do resto entender mal, soletrar, assinar em cruz, e, não ver os vultos furtivos que nos tramam por trás da luz.

Ai, ai senhor das furnas que escuro vai dentro de nós, a gente morre logo ao nascer com olhos rasos de lezíria, de boca em boca passar o saber com os provérbios que ficam na gíria. De que nos vale esta pureza, sem ler fica-se pederneira, agita-se a solidão cá no fundo, fica-se sentado à soleira a ouvir os ruídos do mundo, e a entendê-los à nossa maneira.

Carregar a superstição, de ser pequeno, ser ninguém! E não quebrar a tradição que dos nossos avós já vem...




terça-feira, 3 de outubro de 2017

Ena pá não vinha aqui há 6 meses!


Como é possível não entrar aqui na minha casinha há quase 6 meses! Algo se terá passado, talvez algo importante na vida de uma pessoa! Talvez…

E terá valido a pena? Talvez. Já dizia o Fernando “tudo vale a pena quando a alma não é pequena…” ! Talvez.

Não vale a pena grandes reflexões. A vida é o que é, e por muito que a planeemos e programemos, é uma "maganona", é o que é.  Faz o que lhe apetece e segue em frente. Felizmente, às vezes, permite-nos voltar sem feridas ou mazelas, é o caso. 

E aqui estou, hoje é outro dia e a vida também vale a pena…

terça-feira, 18 de abril de 2017

Emplastro versus Pavões...


 «O “emplastro” está para o Porto como os “pavões” estão para Marvão...»

O “emplastro” é uma personagem patusca, originário da cidade do Porto, que aparece em todos os sítios onde haja uma câmara de televisão. Começou em cenas ligadas ao futebol, mas rapidamente começou a aparecer em todos os lados desde festas a espectáculos, chegando mesmo a aparecer em frente das câmaras que filmam cerimónias religiosas como missas e etc.   

Em Marvão temos agora os “pavões”. Personalidade candidatas a cargos políticos de relevo que pouco têm feito pelo concelho, quer nos cargos que ocupam ou nos movimentos associativos (onde só ingressam quando têm interesses pessoais), mas que agora, com o aproximar das eleições autárquicas, competem numa luta desenfreada para aparecerem em tudo o que é fotografia (usando algumas vezes os incautos marvanenses), que publicam até à exaustão nas suas páginas facebukianas, para tentarem demonstrar aos marvanenses que são pessoas muito dedicadas e preocupadas com a comunidade.

Para tal vale tudo, até o ridículo, tal como o “emplastro” portuense!

Haja algum decoro..., e já agora, respeito pelos figurantes a quem não pedem licença para os exporem no “boneco” (o que é proibido por lei) e se vêem em situações embaraçosas. Se querem fazer campanha política sejam honestos e organizem eventos específicos para tal. Usar festas tradicionais, passeios, actividades desportivas, qualquer ajuntamento e até missas para se promoverem pessoalmente e fazerem política rasteira, é feio. Muito feio.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Fala-se, fala-se, mas afinal...


Ontem reuniu o órgão mais representativo do concelho de Marvão onde estão representadas as forças políticas eleitas pelos marvanenses (12 membros do PSD e mais 7 membros do PS) – A Assembleia Municipal.

Francamente esperava que face ao que se falou e publicou, tanto a nível local como nacional sobre o abate de árvores na estrada das “árvores fechadas”, esperava eu, que no mínimo dali saísse um qualquer documento a apresentar junto dos órgãos nacionais em que fosse manifestada a indignação e a revolta dos marvanenses por tal atentado e manifestando a determinação que não seriam admitidos mais cortes nas restantes sobreviventes.

Mas afinal nada. Nem uma simples moção de reclamação a enviar quer às Infraestruras de Portugal, ao ministério do Planeamento e das Infraestruturas, ou à comunicação social a alertar a opinião pública.

Questionei no final, enquanto cidadão, o porquê de nada ter saído daquelas 4 paredes. Não obtive resposta.

A minha pergunta é porquê?

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Talvez sejamos todos Freixos...

“Um país e uma sociedade sem responsáveis – É urgente mudar de paradigma”

(Reflexão sobre o abate de Freixos na estrada das árvores fechadas)

Por estes dias temos assistido em Marvão e à sua volta, a uma discussão e mesmo revolta geral, pelo abate de 7 Freixos centenários na estrada das “árvores fechadas” que liga São Salvador da Aramenha a Castelo de Vide. Junto também a minha indignação e agradeço a todos aqueles que estiveram no terreno e contribuíram para que o massacre não fosse, logo ali, maior (houve 3 condenadas que se salvaram), e espero que a sua acção venha a servir para salvar o resto.

Como em todas as “catástrofes” estamos agora na fase de rescaldo, de encontrar responsáveis pelo abate destas árvores, ou como dizia o Deputado Luís Testa: “a culpa não pode morrer solteira”. Mas claro que vai morrer solteira, digo eu!

E vai porque, a exemplo do que acontece noutros casos do país, cada um culpa o outro, cada organismo refugia-se no próximo e ninguém assume responsabilidades ou culpas próprias, porque se sacode sempre a água para cima da copa da árvore do vizinho. Eu já ficaria satisfeito se se salvassem as restantes 290 árvores, pelo menos as saudáveis.

Quanto às já abatidas seria bom que, muitos dos que agora andam por aí a incendiar ainda mais a coisa e a fazerem de virgens ofendidas, parassem para pensar, metessem a mão na consciência e, reflectissem, sobre as suas próprias responsabilidades, e o que poderiam ter feito, e não fizeram, para evitar tal desfecho.

Sendo conhecido na Câmara Municipal, pelo menos desde o dia 16 de Janeiro de 2017, um Documento que em baixo vos apresento, devemos questionar, todos os que conheciam o Documento, se não teremos alguma responsabilidade sobre a situação e se não seremos co responsáveis pelo desenlace do ocorrido. E se não valerá sempre a pena prevenir do que remediar. 

Se outros responsáveis não forem encontrados, eu, individualmente, sinto alguma responsabilidade porque talvez pudesse ter feito mais do que fiz e, enquanto cidadão marvanense informado, que tento ser, assumo a minha cota parte. Porque tivesse eu assumido os meus deveres de cidadania, talvez, pudesse ter contribuído para prevenir tal desfecho. Bastaria para tal ter desenvolvido uma qualquer acção pública de levantamento popular, uma manifestação, uma denúncia aos órgãos de comunicação e, quem sabe, os 7 frondosos Freixos ainda ali estariam imponentes. Mas não, calei-me como mandam as boas normas sociais da comunidade e, agora, considero-me um dos responsáveis.

Mas eu sou um simples cidadão. Outros com muitas mais responsabilidades sociais e políticas sabiam tanto ou mais do que eu. Será que fizeram o que deveria ser o seu dever, não só enquanto cidadãos, mas também enquanto líderes, sejam eles autarcas, deputados, dirigentes partidários, etc.? Antes de encontrarmos culpados, “A posteriori”, que já nada resolve, não deveríamos todos nós reflectir sobre esta forma de ser “à portuguesa” sujeitos passivos em vez de cidadãos activos? Ou como diz o povo “não será melhor prevenir que remediar?

Posto isto, tenho de questionar alguns dos que sei que sabiam da intenção das Infraestruturas de Portugal IP e questionar:

- Que fez o executivo municipal, nomeadamente o seu presidente, para evitar tal desenlace?

- E o vereador da oposição socialista Jaime Miranda, acaso contactou logo o deputado Luís Testa para que esse interviesse logo junto do ministro Pedro Marques e em vez de se salvarem 3 Freixos, talvez se salvassem os 10? Por que não apresentou logo a proposta de Património de Interesse Municipal,  que agora diz ir apresentar na próxima reunião?

- E o Presidente da concelhia do PS Tiago Pereira, quando soube dessa intenção em princípio de Janeiro de 2017, que medidas tomou, quantos artigos escreveu para a comunicação social a denunciar o “crime”? Será que denunciou imediatamente a situação ao deputado Luís Testa? É que se o senhor Jeremias da Conceição Dias cá estivesse seria isso que ele faria logo.

- E o deputado Luís Testa não sente que se tivesse sabido e agido atempadamente (caso tivesse sido informado pelas sua estrutura), não poderia ter evitado o abate dos 10 Freixos em vez de 3?

- Finalmente tenho que reconhecer a acção do vereador José Manuel Pires, não sei se fez tudo o que estaria ao seu alcance mas, pelo menos, tentou ao reclamar junto das Infraestruturas de Portugal IP e ao dar conhecimento à Camara Municipal.

Quanto aos restantes que agora andam por aí a reclamar, alguns dos quais apenas em claros aproveitamentos políticos, que reflictam sobre o que podiam ter feito e não fizeram. Ou então acho que, humildemente, e como agora é moda, concluirmos que talvez sejamos “TODOS RESPONSÁVEIS”. Claro que como sempre, uns mais que outros.



- Documento apresentado em Reunião de Câmara do dia 16 de Janeiro de 2017: 


quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

À ganda Costa – Viva a geringonça!


Por estes dias Pensionistas e Funcionários Públicos irão receber menos dinheiro que no mês anterior. Aproximadamente menos 4%. Isto é um facto.

Dirão os adeptos da “geringonça” que o Costa está a poupar por nós e que lá para Novembro nos retribuirá o que agora nos tira. Acredito que muitos adeptos da “geringonça” tenham mais confiança no Costa, que em si próprios. Acredito, mas eu não! Por enquanto ainda sei tomar conta do que é meu.

Como ainda não vi grande alarido (dos do costume) sobre esta situação, naturalmente não deram por nada e, logo, é porque afinal as famílias não andam assim tão mal, e, que não lhes faz diferença receberem menos 4% ao mês. 

Entretanto isso que fica nos “bolsos” do tal Costa, sempre dará para ele ir dizendo que, até Novembro, as despesas públicas não estão a aumentar e o deficit estará mais controlado do que em 2016. 

Depois? Bem, depois logo se verá...

Eu, são menos 50 euros e, acreditem, faz-me diferença.

Será que ninguém dá por nada ou terá sido só a mim?

sábado, 24 de dezembro de 2016

Não é uma canção de natal. Mas podia se-lo...


Aqui estou eu, sou uma folha de papel vazia, pequenas coisas, pequenos pontos vão-me mostrando o caminho. Às vezes aqui faz frio às vezes eu fico imóvel, pairando no vazio, às vezes aqui faz frio...

Sei que me esperas, não sei se vou lá chegar, tenho coisas para fazer, tenho vidas para a acompanhar.

Bem-vindos a minha casa, ao meu lar mais profundo, de onde saio por vezes para conquistar o mundo. Às vezes aqui faz frio às vezes eu fico imóvel, pairando no Vazio, às vezes aqui faz frio...




sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Eu sou o teu homem...

Se quiseres um amante, eu farei tudo o que me pedires. E se quiseres outro tipo de amor eu, até usarei uma máscara para ti! Se quiser um parceiro toma a minha mão, ou, se quiseres derrubar-me de raiva, aqui estou. Eu sou o teu homem.

Se quiseres um pugilista eu entrarei no ringue para ti. Mas se quiseres um médico, eu examinarei cada centímetro do teu corpo. Se quiseres um motorista: Entra. Ou se quiseres levar-me a dar um passeio, tu sabes que podes. Eu sou o teu homem.

Oh, a lua brilha demais, a corrente está apertada demais, a besta não vai adormecer. Tenho recordado essas promessas que te fiz e não pude cumprir! Mas um homem nunca recuperou uma mulher por pedir de joelhos senão, eu rastejaria até ti querida e cairia aos teus pés. E uivaria à tua beleza como um cão no cio e me agarraria ao teu coração. Choraria nos teus lençóis e diria: por favor, por favor. Eu sou o teu homem.

E se tiveres que dormir, por instantes na estrada, eu conduzirei por ti. E se quiseres andar na rua sozinha, eu desaparecerei. Se quiseres um pai para a tua criança, ou apenas caminhar um pouco comigo pela areia.

Eu sou o teu homem...

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

De volta com..., música

No rancho fundo bem para lá do fim do mundo onde a dor e a saudade contam coisas da cidade. No rancho fundo de olhar triste e profundo um moreno canta as "mágoas" tendo os olhos rasos d'água.

Pobre moreno que de noite no sereno espera a lua no terreiro tendo um cigarro por companheiro. Sem um aceno ele pega na viola e a lua por esmola vem pro quintal desse moreno!

No rancho fundo bem para lá do fim do mundo nunca mais houve alegria nem de noite nem de dia. Os arvoredos já não contam mais segredos e a última palmeira já morreu na cordilheira. Os passarinhos hibernaram-se nos ninhos de tão triste esta tristeza enche de trevas a natureza.


Tudo porque, só por causa do moreno que era grande, hoje é pequeno para uma casa de sapê. Se Deus soubesse da tristeza lá da serra mandaria lá para cima todo o amor que há na terra. Porque o moreno vive louco de saudade só por causa do veneno das mulheres da cidade.

Ele que era o cantor da primavera e que fez do rancho fundo o céu melhor que tem no mundo. Se uma flor desabrocha e o sol queima, a montanha vai gelando, lembra o cheiro da morena...





terça-feira, 12 de julho de 2016

Portugal, pela vez primeira: Campeões...

 “É a grandeza da França que faz grande a vitória de Portugal. Alguns franceses terão dito que Portugal jogava um futebol nojento. Nem lhes responderia, mas alguns portugueses gritam agora que ganhámos à França de merda. Discordo. Ganhámos à grande e imensa França que guarda os modos de quem já foi Senhora do Mundo e ainda tem na cabeça acordes de Debussy e Bizet, ou não tivesse o hino mais bonito do mundo, no qual o de Portugal se inspirou.

E ganhámos à nossa maneira dramática. Caído o comandante, onze guerreiros portugueses souberam seguir o que o racionalíssimo treinador português – o extraordinário engenheiro – lhes dizia e foram, como um vinho que precisa de estágio, jogando melhor minuto a minuto. Se o jogo tivesse cinco horas, Portugal acabaria a jogar um futebol que nem Pelé ou Maradona saberiam jogar.”

Pela primeira vez desde que me conheço internauta nada escrevi sobre este campeonato da Europa que agora terminou. Talvez fosse também o tal sinal! Descrente, pensarão aqueles que pensam que me conhecem...

Nada disso. Não escrevi pura e simplesmente porque não me apeteceu. E, assim, pude desfrutar de um prazer egoísta na hora da vitória, que certamente nunca mais terei oportunidade de viver nesta vida terrena.

Mas ainda bem que o não fiz. Pude assim, de uma forma mais liberta, apreciar de tudo aquilo que se escreveu, disse e mostrou nesta campanha francesa, em que tanta coisa feia se disse e escreveu. Mas também coisas bonitas aconteceram e, é nessa perspectiva, que pude desfrutar do texto que aqui encontrei, que na minha modesta opinião é uma das coisas mais bonitas que li sobre o europeu do nosso contentamento e que, para memória futura, aqui partilho convosco:

"Nasceu em Bissau o pé direito que fez Portugal campeão
por Manuel S. Fonseca

Reunidos em concílio, os deuses tinham decidido que a França seria campeã europeia. Os deuses já não se reuniam em concílio desde que Luís de Camões se lembre, e Luís de Camões deixou de se lembrar já lá vão praticamente cinco séculos. Desta vez, os deuses decidiram por unanimidade.

Mesmo Vénus, com um olho em Cristiano, deixou-se empolgar pelo hercúleo meio-campo francês. Mas mesmo quando les jeux sont faits, há sempre qualquer coisa que va plus. A meio catrineta nau portuguesa parecia desgovernada e aos 17 minutos sofre um golpe baixo. Cristiano Ronaldo aparece tombado no campo de batalha. Um jogo que devia ser guerreiro, glorioso e épico é aflorado pela aflitiva cor púrpura da tragédia.

Os velhos deuses vacilaram. A França é uma grande equipa, reunia os favores olímpicos, mas desequilibrar assim as forças em presença pareceu, mesmo aos deuses amorais, uma afronta à estética. Aos 17 minutos, os deuses decidiram abdicar e entregar aos 22 jogadores que estavam em campo a decisão. O que se passou, a partir dos 17 minutos de jogo, no Stade de France foi humano, muito humano. E Portugal ganhou.

É empolgante ganhar. A mim convida-me sempre a um delicioso silêncio. Se me pusessem uma câmara de televisão à frente, não conseguiria falar, nem saltar aos gritos de olé, olé, nem berrar contra o adversário. Poria um bezerro sorriso de felicidade. Sabe-me bem a vitória. Soube-me bem ontem à noite (tão leve e fresco o champagne que se faz na bela França!) e sabe-me agora ainda melhor nesta manhã de férias, antes de meter os calções e ir para a praia. O cheiro da vitória pela manhã!

E não é de napalm o meu cheiro de vitória. Ganhámos à França e se eu amo a França. Gosto da língua, belíssima, apaixonada, veemente, cheia de sexys buraquinhos filosóficos. Gosto da Normandia e da Bretanha, do sol de Nice, Cannes e Saint-Tropez, dessas colinas milionárias e cosmopolitas, para não falar de Paris, margem esquerda ou margem direita, luz do mundo, que nos deu as cores de Cezanne e Degas e depois as de Picasso, Modigliani e Matisse. Gosto da França de Flaubert, Balzac e Rimbaud. Gosto de champagne, de Proust, célebre pasteleiro que tão bem, sem as saber fazer, fazia madalenas.

E gosto da selecção nacional francesa. Tricolor, sim, mas branca e negra também. Retrato vivo, em 2016, de séculos da odiosa, amorosa, torturada e por isso humana relação da Europa e de África. Estão ali onze jogadores, mas há uns bons séculos de história, subterrânea, nas veias deles.

É a grandeza da França que faz grande a vitória de Portugal. Alguns franceses terão dito que Portugal jogava um futebol nojento. Nem lhes responderia, mas alguns portugueses gritam agora que ganhámos à França de merda. Discordo. Ganhámos à grande e imensa França que guarda os modos de quem já foi Senhora do Mundo e ainda tem na cabeça acordes de Debussy e Bizet, ou não tivesse o hino mais bonito do mundo, no qual o de Portugal se inspirou.

E ganhámos à nossa maneira dramática. Caído o comandante, onze guerreiros portugueses souberam seguir o que o racionalíssimo treinador português – o extraordinário engenheiro – lhes dizia e foram, como um vinho que precisa de estágio, jogando melhor minuto a minuto. Se o jogo tivesse cinco horas, Portugal acabaria a jogar um futebol que nem Pelé ou Maradona saberiam jogar.

Ganhámos, disse, à nossa maneira dramática. Patrício, o nosso guardião, os centrais, o gigantesco William, o veloz Raphaël Guerreiro (único português a ostentar no nome um orgulhoso umlaut), o sábio e ardiloso Nani, o imprevisível e filosófico Quaresma, a quem se deve já pedir um livro, foram os meus heróis. E tu, Renato, mesmo no dia em que te conseguiram apagar, serás sempre o meu herói. Ou seriam, até aparecer o herói desmedido e libertador a que chamaremos Éder. E o momento histórico exige que sejamos rigorosos. O nosso herói chama-se Éderzito António Macedo Lopes e nasceu em Bissau, em 1987. Éder fez um jogo exemplar. O seu metro e oitenta e oito centímetros ganhou, que me esteja a lembrar, todas as bolas que disputou no ar. Ganhou, dando o corpo ao manifesto, todas as jogadas de bola no chão, ganhando a posição aos adversários, obrigando-os a derrubá-lo. Ganhava um livre a cada cinco minutos. E, por causa dele, o Stade de France inclinou-se e a bola, o maravilhoso esférico, passou a estar cada vez mais perto da baliza do imenso Lloris, e uma vez mesmo, com estrondo, na barra da baliza dele.

O que Éder fez no golo é só a confirmação da sua convicção e do poder de que vinha impregnado. Éder entrou em campo com uma missão: marcar um golo. Raphaël encarniçou-se a disputar uma bola, já no meio campo gaulês. Sacou-a e meteu-a em William, que de primeira a deu a Moutinho que a entregou a Éder. Está a uns vinte e cinco metros da baliza. Um defesa francês cai-lhe em cima e o ombro esquerdo de Éder aguenta-o. O francês cola-se-lhe como uma carraça, mas Éder já lhe ganhou a frente. Tem à direita outro francês que hesita. Já o parasitário francês da esquerda foi cuspido, incapaz de aguentar o poder que exala do físico de Éder. O da direita continua a hesitar e Éder já avançou dois metros e a bola agora oferece-se ao seu melhor pé, o direito. O francês da direita percebe o infinito perigo, mas, num dilema cartesiano, nem sai da posição, nem vai em cima do homem, e Éder, o homem, chuta rasteiro e cruzado para o seu lado esquerdo, a vinte e um, vinte e dois metros da baliza, quase colando a bola ao poste, tornando inútil o desesperado e belo vôo de Lloris.

A bola rolou nas redes da baliza francesa – «oh, ça fait beacoup de mal aux bleus», ouço dizer em francês – e o meu coração rende-se à beleza humana disto tudo, já não balouçam as redes, mas balouça enlevada a minha pequena alma portuguesa que o pé direito deste guineense de Bissau pôs em êxtase. Nasceu em Bissau o pé direito que pôs um povo inteiro em delírio.

Gritei golo e volto, agora, ao meu beatífico silêncio. Mas penso que ganhou a equipa que gosta mais de jogar à bola. Os franceses gostam, claro, e jogaram bem. Mas só gostam de jogar um bocadinho e não estavam preparados para passar ali a noite a jogar. Os portugueses, com Ronaldo a descobrir uma forma de jogar à bola fora das quatro linhas, estavam prontos para acampar no Stade de France e ficarem mil horas a jogar com prazer. Os franceses gostam tanto de jogar à bola como nós, mas nós gostamos de jogar à bola mais tempo. Fomos a selecção que jogou mais minutos, horas perdidas que foram horas ganhas. Também por isso somos campeões.

De nós próprios e da Europa..."

Carregar aqui para ver a "obra de arte"

quinta-feira, 9 de junho de 2016

terça-feira, 7 de junho de 2016

O velho do restelo, ou velho do PS?


Um pouco de lucidez. Vale a pena ouvir na integra e divulgar:


Só para gente com humor, ou não socialista....


Do melhor que já li nos últimos tempos:

Portugal, quê (start-up)?

quinta-feira, 26 de maio de 2016

O meu amor foi...


Eu que até nem gosto muito da senhora, mas isto com um "dedinho" do Tê é outro fado e, até arrepia...


O meu amor foi para o Brasil nesse vapor
Gravou a fumo o seu adeus no azul do céu
Quando chegou ao Rio de Janeiro
Nem uma linha escreveu
Já passou um ano inteiro

Deixou promessa de carta de chamada
Nesta barriga deixou uma semente
A flor nasceu e ficou espigada
Quer saber do pai ausente
E eu não lhe sei dizer nada
Anda perdido no meio das caboclas
Mulheres que não sabem o que é pecado
Os santos delas são mais fortes do que os meus
Fazem orelhas moucas do peditório dos céus
Já deve estar por lá amarrado
Num rosário de búzios que o deixou enfeitiçado
O meu amor foi seringueiro no Pará
Foi recoveiro nos sertões do Piauí
Foi funileiro em terras do Maranhão
Alguém me disse que o viu
Num domingo a fazer pão
O meu amor já tem jeitinho brasileiro
Meteu açúcar com canela nas vogais
Já dança forró e arrisca no pandeiro
Quem sabe um dia vem
Arriscar outros carnavais
Anda perdido no meio das mulatas
Já deve estar noutros braços derretido
Já sei que os santos delas são milagreiros
Dançam com alegria no batuque dos terreiros
Mas tenho esperança de que um dia a saudade bata 
E ele volte para os meus braços caseiros

Está em São Paulo e trabalha em telecom
Já deve ter “doutor” escrito num cartão
À noite samba no “Ó do Borogodó”
Esqueceu o Solidó, já não chora a ouvir Fado
Não sei que diga, era tão desengonçado
Se o vir já não quero, deve estar um enjoado

 Letra e música de Carlos Tê


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Ouve Costa: Se quiser fumar eu fumo, se quiser beber eu bebo...


... e se quiser andar de carro, ando. Vou ali a Espanha! É a interioridade! 


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

A praga dos Ajuste Directos (2)


Já escrevi aqui e aqui sobre esta problemática, e hoje quero actualizar os dados do Município de Marvão referentes ao ano de 2015. Como se pode ver no Quadro 1, e no Link para onde este nos remete, é de realçar mais uma vez que, num total de 32 adjudicações, que rondou uma verba no valor de 1,5 milhões de euros, apenas se procedeu a 1 “ Concurso Público”, as restantes 31 adjudicações foram feitas por “Ajustes Directos” no valor de mais de 1 milhão de euros, isto é, a correspondente a cerca de 70% das verbas gastas.

Na quase totalidade destes “Ajustes Directos”, apesar das várias sugestões feitas pelo vereador Nuno Pires, nas Reuniões de Câmara, para se consultarem mais do que uma empresas, bem como o uso da Plataforma Electrónica existente para essa finalidade na Administração Pública, e do compromisso da governação da Câmara que iria passar a ser feita; que eu tenha conhecimento, apenas em 1 dos 32 “Ajustes Directos” se procedeu à consulta de mais que um possível prestador de serviços (e mesmo esse, de cariz muito duvidoso, já que a quem se fez a adjudicação tinha sido aquela a quem o Presidente, em Reunião de Câmara, tinha anunciado previamente que o iria fazer).

Nesta prática usada da CM de Marvão, podemos ainda realçar que existe adjudicação continuada por “ajuste directo” de obras por valores muito perto do limite que é de 150 mil euros. Só desde o início de 2015 existem 3, respectivamente: 144.500; 145 000; e 144 800 (esta já em 2016), e que depois da aplicação do IVA todas eles ultrapassam o valor superior aos tais 150 mil euros. Tal prática, numa Câmara de 3 500 habitantes, cheira, no mínimo, a duvidosa transparência. Podemos ainda constatar que quando analisamos as práticas em municípios vizinhos e de idêntica dimensão, raramente tal se verifica, existindo quase sempre o cuidado de privilegiar o “concurso público” na adjudicação de obras de valores superiores a 80 mil euros.

Em minha opinião, esta prática pode ser legal, mas parece-me completamente imoral e pode estar a prejudicar a administração pública, os marvanenses e os contribuintes em geral, já que podíamos estar a fazer o mesmo mas por valores bem mais baixos. Nem tão pouco o argumento “que se está a escolher os melhores” pega, a julgar por alguns “barretes” enfiados, veja-se o caso do Vaqueirinho. 

Já é hora de se acabar com esta praga, e apelo à governação do município para um pouco mais de transparência: Usem a Plataforma Electrónica e contribuem, pelo menos, para uma melhor transparecia

Quadro 1 – Adjudicações do Município de Marvão em 2015 (Assinalado a vermelho o único Concurso Público de 2015)


Fonte: http://www.base.gov.pt/Base/pt/ResultadosPesquisa?type=contratos&query=adjudicanteid%3D2785