segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Balanços 2013: As minhas preferências



No ano de 2013 publiquei por aqui 215 Mensagens (Posts). Como já disse anteriormente, este ano fica marcado para a Retórica, por ser o ano da sua afirmação, como uma média de 60 visitas diárias, e no último trimestre essa mesma média rondou as 90 visitas diárias. Para quem quiser reler e relembrar, algo do que aqui fui registando ao longo deste último ano, deixo aqui os 7 Posts da minha preferência de 2013: 


1 - Os cometas (30/9/2013)

“Cometa, é um corpo menor do sistema solar que quando se aproxima do Sol passa a exibir uma atmosfera difusa, denominada coma, e em alguns casos apresenta também uma cauda, ambas causadas pelos efeitos da radiação solar e dos ventos solares sobre o núcleo. Os núcleos dos cometas são compostos de gelo, poeira e pequenos fragmentos rochosos, variando em tamanho de algumas centenas de metros até dezenas de quilómetros.”

Na política também existem alguns destes “corpos menores”, andam por aí eclipsados durante 4 anos, às vezes toda uma vida. A maioria das vezes pescados fora da terra, sem que se lhes conheça qualquer actividade social (boa ou má), meninos bem comportados, e apresentados como "sem defeitos" (mas também sem qualquer qualidade conhecida para a vida pública), bons “chefes” da família tradicional; que de 4 em 4 anos são lançados pelos caciques locais, como meninos de coro, para convenceram a populaça de que serão seus dignos representantes, e tudo farão em seu prol (quando todos sabemos que o que eles querem é resolver as suas vidinhas e de seus amigalhaços).

Existe ainda outra coisa pouco bonita neste mundo da “astronomia política”. São aqueles “corpos” que umas vezes aparecem à direita, outras vezes à esquerda, outras ainda nos céus de ninguém, é assim como lhes dá jeito. Mas também aqui os resultados não são os melhores, e povo não aprecia.

Em Marvão, tem sido quase sempre assim. Os resultados têm sido quase sempre desastrosos, e mais uma vez não fugiram à regra.

Fazer POLÍTICA, não pode ser uma coisa ocasional, de meia dúzia de messes (ou menos) antes de eleições. O povo já não vai nessas lérias. Fazer POLÍTICA, tem que ser constante, conhecer o terreno que se pisa (contexto), apresentar alternativas (ser só boa pessoa e simpático não chega). E depois tem que se apresentar algumas credencias (currículo social), se possível com algumas provas dadas no passado e resultados obtidos.

Se alguma coisa as eleições de ontem mostraram, foi que os Partidos políticos têm que reflectir muito bem sobre a sua prática de fazer política e de seleccionar candidatos. Escolher candidatos para administrar a vida pública, não é a mesma coisa que escolher uma “miss de beleza”, ou um concorrente de “big brother” da televisão chunga. Se não perceberem isto, e mudarem, será o povo a mudar-vos.

Ainda sobre Marvão, o que eu gostaria de ver a alguns desses “cometas”, era agora que as eleições para cargos em que se ganha dinheirinho acabaram, se apresentassem nas Associações do Concelho ou em causas públicas, que são muitas e precisam do vosso trabalho, mostrassem do que são capazes, e, que estão preocupados com a coisa pública. Parece que a próxima a precisar de gestores associativos é o Lar de São Salvador da Aramenha. Apareçam por lá e mostrem do que são capazes!

Mas olhem que aí o colaboração é gratuita, isto é, à borla.... 


2 - Rapidinhas mas boas (20/9/2013)

No princípio desta semana, quando assistia ao desfilar de mais um “rosário de lamentações”, em que se transformaram os Telejornais televisivos, sobre o início do ano escolar, deparei-me com o seguinte “tesourinho” em directo, de uma senhora professora no dia de apresentação aos seus alunos, escrito no Quadro modernaço:

“ Eu sou (fulana de tal), a vossa professora de português. Ok...”

E eu, que não percebo um boi de línguas bárbaras, a pensar: I am João, your English teacher! Sim...”

Estas o Mário Nogueira não comenta, nem o Tó Zé....


3 - “Madrugada Suja” (22/8/2013)

Não lia um livro numa semana desde os meus 20 anos, quando por essa época, há luz de um candeeiro a petróleo, e após um acidente de motorizada que me partiu um pé, devorei o Mandingo de Kyle Onstott. O Mandingo era uma história passada nos States, tratava da escravatura dos pretos nessas paragens, numa plantação do Alabama, onde o “avantajado” escravo Ganimedes acaba cozido e assado (qual joão ratão) num panelão, após ter ele mesmo “comido” a filha branca do patrão. Um argumento perfeito para apaixonar um jovem, então de esquerda, e o acicatar na sua raiva aos americanos imperialistas.

Pois por estes dias, bati esse recorde, ao ler a “Madrugada Suja” de Miguel Sousa Tavares (MST): apenas 4 dias.

Quando me emprestou o livro, logo o amigo Fernando Bonito me avisou, que se tratava de um argumento que, quando o iniciasse, não conseguiria mais parar! Duvidei, sobretudo, devido a uma preguiça crónica que me vem acompanhando ultimamente.

Já havia lido do MST o livro, possivelmente, mais lido em Portugal nos últimos anos - O Equador, que apesar de ser uma intriga bem montada, com um enquadramento histórico que me aliciou, e de ter ficado uns tempos a remoer as traições aí relatadas, só me voltei a lembrar dele quando a TVI apresentou a série correspondente, mas aí, muito mais focado na belíssima banda sonora de Rodrigo Leão, e nas belas fotografias exibidas: quer as paisagísticas, quer as humanas!

Para um leitor apaixonado por Saramago, Lobo Antunes, ou José Cardoso Pires, ler Miguel Sousa Tavares, em termos literários é assim como quem passa da música clássica ou do “jaaz”, para a chamada música pimba, ou um confronto Camilo/Eça do século XIX. No entanto, cuidado, isso apenas no que toca a uma análise literária. Porque no resto, em termos de criatividade, de enredo, de intriga real, de traições, e de actualidade, o Miguel é um “mestre”.

Neste livro ele pega na vida de várias personagens (possivelmente reais) que atravessaram o século XX até aos nossos dias, as suas vivências e visões diferentes do tempo e do espaço onde vivem (o campo e a cidade, o urbano e o rústico, o interior e o litoral), a simplicidade com que as descreve (sobretudo as femininas, sem ser ter medo de ser acusado de machista, pois não parece sê-lo), a forma sucinta, clara e global como descreve os acontecimentos sociais e políticos de quase um século; e como tudo isto conflui para um problema que ele quer denunciar, com grande actualidade nos nossos dias: as chantagens do poder,  a corrupção, e a política num regime que se diz democrático.

Miguel Sousa Tavares é daquelas personalidades que, ou se gosta ou se odeia (como eu me revejo nele). Quem ouve os seus comentários nos meios de comunicação, parece arrogante, vaidoso,  distante, e agressivo; mas no fundo eu acho que ele é um homem simples e sensível, mas com uma opinião própria e independente. Não é habitualmente um troca-tintas, como a maioria dos seus congéneres comentadores televisivos, que estão ali apenas para dizerem o que os espectadores querem que se diga: num dia são brancos no dia seguinte são pretos; mas o que eles são, efectivamente, é cinzentos, ou pior, "cinzentões"; verdadeiros cata-ventos para agradarem aos seus mandantes e ganharem a vida à custa da ingenuidade alheia. MST não, o que é branco é branco, se for preto não trata por “negro”.

Claro que há quem não goste: é muito agressivo! Ai credo, satanás. Mas quem quiser conhecer MST, ou terá de ser pessoalmente, ou nos seus livros onde ele se mostra. E em “Madrugada Suja”, MST dá forma aos seus heróis: os humildes e os corajosos, e descreve de uma forma simples mas real, muito do que arruinou Portugal nos últimos 40 anos.

Para quem como eu, teve oportunidade de viver alguns acontecimentos idênticos aos do livro: mentiras, traições, chantagens, sacanices, vitórias dos poderes ocultos sobre a razão, não pude deixar de apreciar esta obra. Quase sempre emocionado e com lágrimas nos olhos, que frequentemente, me fizeram interromper a leitura (a coisa às vezes é dura, mas muito real) senão, o recorde de tempo da leitura ainda seria maior.

Como eu gostava de ter sido Tomás da Burra: o homem íntegro que nunca saiu de Medronhais, o homem que nunca viu o mar, que criava, falava e amava as suas plantas e os seus animais apenas para se servir deles, quando deles precisasse, que criou o seu neto como de filho se tratasse, mesmo que o não fosse; como eu admirei a coragem da avó Filomena: mulher sem saber ler ou escrever, mas uma verdadeira sábia no que toca às relações humanas e a arte de saber calar, uma mulher coragem; como eu gostava de ser o Filipe: o Arquitecto criado no campo, que não cedeu a chantagens e teve a coragem de enfrentar o “poder” e a corrupção (nem que os chantagistas fossem os poderosos, e um dos corruptos fosse o seu próprio pai biológico); como eu apreciei Eva (ou a Procuradora Maria Rodrigues): que poderia ter perdido tudo numa noite de simples bebedeira de adolescente, mas que lutou durante 5 anos agarrada a numa cadeira de rodas e, quando podia ter cedido à facilidade de se vingar de um dos seus possíveis “violadores”, aceitou os seus instintos de “mulher”, e chegou à verdade.

Mas, o que eu gostava Miguel: era de escrever como tu, mesmo que literatura não fosse! Escrever a “minha” história, e denunciar publicamente a patranha que também um dia me armaram, e que até hoje carrego como algo mal resolvido. Pelo menos nomes das personagens já não me faltam: o Zé Morcego, a Genoveva (a bruxa gorda), a Dona Maria Quixote (a bruxa má), o dr. Camponês, a São Imaculada, o Manuel dos Canchos, O Zé Almirante de Meia-Nau, as Irmãs Tramelita e Catatua, o Chico Regedor, o Frei Macacos, o Maioral das Cortiças, etc., etc. Quem sabe, talvez um dia....

Vou agora reler com mais calma. Talvez para apreciar melhor a escrita e alguns pormenores, que volto a referir, sem ser uma grande obra literária (na minha modesta opinião), quem gostar de ler, não perca: “Madrugada Suja”.

Obrigado ao Miguel...

4 - João no mundo dos imbecis (23/7/2013)

Os papagaios da comunicação social e os corporativistas do regime, andam por aí a apregoar que depois de tantos cortes e tanta austeridade, a dívida pública portuguesa (a de todos nós), não pára de crescer, e atingirá por estes dias cerca de 127% de um tal PIB (Produto Interno Bruto).

Ora, na minha ignorância e vistas curtas, suponho que sempre que tentemos saber se algo cresceu ou diminuiu, teremos que usar um sistema de medida. Assim, para sabermos se uma criança cresceu, de um momento para outro, usamos os centímetros; e para sabermos se aumentou de peso, usamos as gramas e seus múltiplos; e assim para outras avaliações.

Acontece, que estas medidas padrão, se mantêm mais ou menos inalteráveis ao longo dos tempos. E assim, há mais de 100 anos que 1 quilo continua a ser 1 quilo, e 1 metro continua a ser 1 metro. E tanto faz estarmos na Europa, como na África com na Ásia. Logo quando fazemos avaliações, usando estas medidas, podemos dizer com alguma segurança, que nos últimos 100 anos, se registaram aumentos percentuais quer na estatura, quer em peso nas crianças do século XXI, quando comparamos com as do início do século XX.

Mas o PIB, será ele uma medida inalterável? Ou aumenta e diminui de acordo com o desenvolvimento e desempenho de um país? E quando este cai (como parece ser o caso dos últimos anos, e parece não ser pouco); e se a divida se mantém, que acontece à relação entre ambos?

Tomemos como exemplo uma família que em 2011 tinha 2 dos seus membros empregados, cujos rendimentos anuais eram de 30 000 euros, e herdaram uma dívida, nesse mesmo ano, de seus progenitores de 40 000 euros. Ao fazerem as contas, essa família constatou que tinha uma dívida, face ao seu rendimento anual de então, de cerca de 133%.

Veio o ano de 2012, e sendo um dos membros desta família funcionário da Administração Pública, viu os rendimentos do seu desempenho amputados de 2 000 euros (não recebimento de subsídio de férias e natal), que quer dizer que o rendimento anual dessa família foi apenas de 28 000 euros. Apesar dessa diminuição de rendimentos, ainda conseguiu amortizar 1 000 euros à divida herdada, que se situa agora em 39 000 euros.

No entanto, apesar de esta família ter feito um esforço de ajustamento de viver em 2012 apenas com 27 000 (recebeu menos 2 000 e amortizou 1 000 à dívida), andam agora os familiares (alguns responsáveis pela feitura dessa dívida), a dizer que esta aumentou para cerca de 140%, quando, no ano anterior, era apenas de 133%!!!

Será justo? Ou vamos lá ter um mínimo de seriedade....


5 - Reflexões em “dia do pai” (19/3/2013)

Era uma vez um pai que gostava muito dos seus filhos. Era mesmo aquilo a que podemos chamar um, “amor de pai”, e tinha como divisa “aos filhos é que nada pode faltar”...

Este pai herdou de seu progenitor austero um legado pobre, sem grandes patrimónios, uma pequena escolaridade de 4 anos, um deficit em algumas necessidades primárias como a saúde ou a liberdade; mas tinha uma família de cara lavada, honesta, com uma cultura de, viver com o que se produz, e claro, nada de dívidas.

Este, amoroso pai, quando assumiu a responsabilidade de o ser, na roda da vida, desprezou a cultura e os princípios herdados, e em vez de corrigir deficiências, adoptou uma filosofia completamente oposta ao do seu progenitor, por achar que tudo nele estava errado.

Durante mais de 30 anos, proporcionou a seus filhos uma serie de regalias e direitos, diga-se até que alguns dispensáveis, tais como: avultadas mesadas para todos, que lhes proporcionavam só trabalhar já bem entrados na idade adulta, e, depois de “meia-vida” de ócio e borgas; a alguns, mais de 20 anos nas escolas sem grandes resultados; seguros de saúde dos mais caros, para que pudessem socorrer as maleitas devido a estilos de vida manhosos; oferta precoce de um automóvel sempre que um descendente atingia os 18 anos; alimentação em restaurantes pelo menos 7 dias por semana; cada vez que um dos seus rebentos pensava arranjar uma nova família, logo, esta bondosa criatura os brindava com a oferta de uma casita tipo “vivenda” ou, pelo menos, um “apartement t3”; e direito anual a muitas férias, se possível fora do país. E ainda, para fazer ver ao seu progenitor, decidiu presenteá-lo, bem como a sua mãe, com pensões de reforma insustentáveis no tempo, pelo menos para quem soubesse fazer simples contas de multiplicar e dividir.

Foi assim que, durante 3 décadas, para fazer face às despesas para suportar essa filosofia de vida, em vez de produzir e trabalhar, este pai amoroso, se endividou até ao tutano, sustentando que seus filhos mereciam tudo, e, que aos filhos nada pode faltar.

Cada ano que passava, por cada 16 mil euros que ganhava, tinha que pedir, ao vizinho rico, 800 euros para sustentar os seus princípios e valores.

Hoje tem uma dívida superior a 24 mil euros, só de juros paga ao vizinho rico 1 200 euros por ano, ao que junta mais os tais 800 que tem que continuar a pedir, que perfazem um total de 2 000 euros a mais do que aquilo que produz em cada ano (que agora já não chega aos tais 16 mil). Este estilo de vida chegou a um ponto, que já ninguém lhe quer emprestar um tusto que seja, e, dizem que este, extremoso pai, está F***** (falido).

Claro que, perante esta situação, o vizinho penhorou a casa e os automóveis dos meninos do papá, pois já viram que este, bom pai, jamais conseguirá pagar a dívida em que se meteu. O dito, bom pai, entretanto já se pôs ao fresco, emigrou, e deixou, a esposa/mãe e os rebentos, encalacrados.

A mamã um pouco mais realista, já começou a cortar mesadas a torto e a direito; as pensões dos sogros já foram reduzidas para metade, a escola e a saúde têm que começar a ser a pagas; e claro, a filharada e os velhos andam descontentes, e passam o tempo a protestar e aos berros.

Mas o vizinho quer o “carcanhol” em dívida, e, ou a mãe ou os filhos, vão ter que pagar a dívida e os juros. 

TA: Claro que os meninos gostam muito do, bom pai, e, têm dele muitas saudades....

6 - Perguntas que incomodam (22/2/2013)


Se os Bancos portugueses pagam juros de depósitos a menos de 2%, como é possível que não emprestem dinheiro às empresas a menos de 5%, e a particulares a menos de 6%?
Será que guardar dinheiro dá assim tantas despesas?


7 - Para meu irmão (12/2/2013)

 Espero que não te importes que te esteja a tratar por tu, pois não foi assim que os nossos pais me ensinaram, nem tão pouco foi assim que te tratei ao longo dos trinta anos que convivemos, sempre te tratei por “mano” ou mais simplesmente, pelo despropositado “oiça lá, ou veja lá...”; mas hoje é dia de entrudo, e coincide com o dia doze de fevereiro. Não posso afirmar, que tal coincidência, não tenha já sucedido no quarto de século, que se seguiu ao fatídico ano de 1991, mas hoje, vá lá gente saber porquê, veio-me à memória.

Ao longo destes vinte e dois anos, desde que partiste, nunca me lembro de escrever sobre ti, a não ser um pobre poema feito pouco tempo depois, a que dei o nome de “poema para uma quarta-feira de cinzas...”, mas que ficou perdido por aí, nas diversas andanças a que tenho estado sujeito, e, que hoje não descubro, mas prometo-te que logo que o encontrar to enviarei.

A notícia chegou-me através de uma amiga, pois por essa época o telefone ainda não existia em minha casa. Seriam perto das duas horas da madrugada de 13 de fevereiro, quando a campainha da porta tocou. Eu que havia acabado de adormecer tive imediatamente a percepção do sucedido. Fiquei ali deitado, imóvel, aguardando que minha mulher abrisse a porta, e quando a mensageira entrou no quarto, não foram precisas palavras, os olhares disseram tudo: o xico serra, estava, mas tinha deixado de estar.

Não me lembro de ter chorado, mas, possivelmente, algumas lágrimas hão-de ter inundado os meus olhos. O sofrimento em que agonizavas era, certamente, mais atroz. Apenas me lembro que foi para mim muito diferente do dia da notícia que tivera dois anos antes, chegada pela voz desesperada da tua filha ao telefone da casa do povo, e que me martelou o tímpano sem aviso prévio, após lhe comunicarem que - seu pai tem um cancro, nada se pode fazer, abri e fechei, e não terá mais de um mês de vida!

Nesse dia sim, o desespero e raiva tomaram conta de mim, corri para casa, deitei-me sobre a cama, sovando-a até me apetecer, embora sabendo que ela não teria qualquer culpa, chorei até esgotar as lágrimas, e só me lembro de pensar “o meu irmão vai morrer em breve...”, e balbuciar: porquê, porquê, porquê...?

Amanhã farão 22 anos, mano, e eu tenho saudades tuas. As lágrimas voltam, a pergunta continua, e eu acho que não tenho o direito de maçar aqueles que me lêem, mas tu mereces que eu te lembre. Sem ti eu não seria eu, seria, certamente, alguém muito diferente!

Hoje quero dizer-te, e penso que nunca to verbalizei, tu foste para mim como um segundo pai, e eu gostava muito de ti...

   

domingo, 29 de dezembro de 2013

Antes que se faça tarde!

Vamos lá, então, por fim a 2013. E, silêncio, porque se vai cantar o Fado:

"O fado tem não sei quê, que prende a alma da gente, um nada, que se não vê, um tudo, que a gente sente. Eu dei a vida a valer, nada mais podia dar, agora, para viver, vivo sim, mas a cantar.

Se a tristeza ao fado assiste, e o fado assim, extasia, prefiro ser sempre triste, para não morrer de alegria. Tinha o destino marcado, pois logo, de pequenino, fiz do destino dum fado, o fado, do meu destino!

A minha vida renasce, neste meu canto magoado, cada um é para o que nasce, e, eu nasci para o fado..."






"Nem um poema, nem um verso, nem um canto, tudo raso de ausência, tudo liso de espanto. Amiga, noiva, mãe, irmã, amante, meu amigo está longe, e, a distância é tão grande...

Nem um som, nem um grito, nem um ai, tudo calado, todos sem mãe nem pai. Amiga noiva mãe irmã amante, meu amigo esta longe, e, a tristeza é tão grande...

Ai esta mágoa, ai este pranto, ai esta dor, dor do amor sozinho, o amor maior. Amiga noiva mãe irmã amante, meu amigo esta longe, e, a saudade é tão grande..."





sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Balanços 2013: Geral


"....porque, se fosse ao contrário, se calhar não escrevia, não é? A gente escreve para gostarem de nós. Quando o Mozart, aos 5 anos, tocou para a corte francesa, ele foi a correr sentar-se ao colo da Maria Antonieta e pediu-lhe "aimez moi!". 

(António Lobo Antunes)

Mais um ano que está a chegar ao fim. 2013 foi o ano de afirmação da minha Retórica Bugalhónica, depois da reforma, possivelmente definitiva, do projecto colectivo em que participei, que foi o Fórum Marvão. Isto dos blogues, é um bocado como os projectos musicais, em que se junta um grupo de músicos e formam um “conjunto”, mas pouco a pouco, cada elemento vai tomando o seu rumo e fazendo o seu percurso a solo.

Na escrita, e mais uma vez como na música, por mais que alguns queiram fazer crer, que compõem ou escrevem para si próprios, creio que, no fundo, todos gostamos de ser lidos ou ouvidos, e, neste desiderato a Retórica, atingiu este ano, valores muito acima do que vinha sendo hábito e que eu próprio estimava. Isso deixa-me satisfeito, e é um incentivo para continuar, independentemente, se agrado ou se enfado, nisso é que, garanto, me é completamente indiferente. O que me interessa é, sobretudo, agitar consciências, e contribuir para a reflexão e a análise do que me rodeia.

Nem sempre serei o dono da razão (nem ninguém o será jamais) mas certamente, tal, algumas vezes me assistirá. Mesmo quando denuncio e/ou acuso, procuro fazê-lo sempre fundamentando. Não tenho nunca em vista o ataque pessoal, mas sim os comportamentos ou actos daqueles que estão na administração da coisa pública, que foram os escolhidos, e que têm a obrigação de serem exemplares.

Assim, dos cerca de 34 000 visitantes que tem a Retórica nos seus 6 anos de existência, 21 500 (63%) fizeram-no durante o ano de 2013, o que demonstra, elucidativamente, a sua evolução, como se pode ver, em baixo, no Gráfico 1. Isto representa uma média de 1 800 visitantes/mês, e cerca de 60 visitantes por dia. O recorde de visitas foi atingido em Outubro de 2013 com um total de 3 620 visitantes.  


Gráfico 1 - Visitantes da Retórica Bugalhónica 


Fonte: Blogger


Desde 2007 aqui editei 350 Posts, que mereceram 265 comentários por parte dos visitantes. Os 5 Posts mais visitados de sempre, para quem quiser revisitar, foram os seguintes:

1º - Coisas muito feias (02/12/2013)
2º - Coisas giras vistas por aí (28/11/2013)
4º - O mundo dos outros (20/11/2013)

Algo que não posso deixar de referir também, que muito me honrou, foi o ter este pequeno Blogue pessoal, editado nos confins do mundo, sido aconselhado por um dos seus congéneres de referência a nível nacional, o Delito de Opinião, em 27/11/2013. Por tal, aqui agradeço publicamente ao Pedro Correia.  

O 2014 está já aí. Este é o meu espaço de ligação ao mundo, e a minha forma de exercer alguma cidadania. A todos que por aqui passam o meu muito obrigado, a porta está sempre aberta para todos....

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Porque é Natal....


O autor desta humilde Retórica deseja a todos os visitantes boas festas, e um Natal de acordo com a vontade e possibilidade de cada um.




(Adaptação minha de um poema de David Mourão Ferreira)

Entremos, apressados, friorentos, numa gruta, no bojo de um navio, num presépio, num prédio, num presídio, no prédio que amanhã for demolido... Entremos, inseguros, mas entremos. Entremos, e depressa, em qualquer sítio, porque esta noite chama-se Dezembro, porque sofremos, porque temos frio.

Entremos, dois a dois: somos duzentos, duzentos mil, doze milhões de nada. Procuremos o rastro de uma casa, a casa, a gruta, o sulco de uma nave... Entremos, despojados, mas entremos. De mãos dadas, talvez o fogo nasça, talvez seja Natal e não Dezembro, talvez universal a consoada.

Vai nascer esta noite, à meia-noite em ponto, num sótão, num porão, numa cave inundada. Vai nascer esta noite, à meia-noite em ponto, dentro de um foguetão reduzido a sucata. Vai nascer esta noite, à meia-noite em ponto, numa casa na “Síria ou no Egipto”, ontem bombardeada.

Vai nascer esta noite, à meia-noite em ponto, num presépio de lama, de sangue e de cisco. Vai nascer esta noite, à meia-noite em ponto, para ter amanhã a suspeita que existe. Vai nascer esta noite, à meia-noite em ponto, tem no ano dois mil a idade de Cristo.

Vai nascer esta noite, à meia-noite em ponto, vê-lo-emos depois de chicote no templo. Vai nascer esta noite, à meia-noite em ponto, e anda já um terror no látego do vento. Vai nascer esta noite, à meia-noite em ponto: para nos pedir contas do nosso tempo.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Balanços 2013: Músicas...


Numa época de aculturação musical do estilo “cu pra baixo, cu pra cima”, ou do “do abana as mamas, abre as nalgas, e anda cá que eu não te aleijo”; em que a choldra dos 3 canais generalistas da televisão ao fim-de-semana nos bombardeiam, em doses iguais, apenas com este “estilo da treta”, em pacotes da mais pura estupidez; ou noutra dimensão o género “pum, pum, pum, chi pum”; como se andassem a domesticar macaquinhos amestrados, e, como se mais nada existisse no panorama musical português. Deixo a lista dos 60 temas que aqui publiquei ao longo de 2013. Sobretudo para homenagear a música portuguesa.

- Bolero do Coronel sensível que ... (Naifa e Vitorino)
- Rapaz da Camisola verde (Sergio Godinho e Frei Hermano da Câmara)
- Ai se a Luzia... (Banda do Casaco)
- A chata (Ultraleve)
- Pior que perder (Adriana)
- Em Marcha (Luis Caracol)
- Coisas pequenas (Madredeus)
- Como quem não quer a coisa (Trovante)
- A velha Xica (Dulce Pontes e W. Bastos)
– Não é fácil o amor (Janita e Lena de Água)
 - É triste não saber ler (Banda do Casaco)
 – Que seja agora (Deolinda)
 – Ainda bem (Marisa Monte)
 – Sexta-feira (Rui Veloso)
 – La dolce Vita (Jáfumega)
 – Vamos ao Circo (Sitiados)
 – Capitão Romance (Ornatos Violeta)
 – Estupidez (Xutos e Pontapés)
 – Namoro (Sérgio Godinho)
 – A gente não lê (Rui Veloso)
 – Fiz-me à Cidade (Trovante)
 – Desalinhados (Delfins)
 – Anos de bailado e natação (Mundo cão)
 – Zero-a-zero (Carlos Paião)
 – Se deixas-te de ser minha (Carlos do Carmo)
- Quero é viver (Humanos)
- Maryjoana (As 3 Marias)
- A noite Passada (Sergio Godinho)
- Nossa senhora da Estrela (Semeador)
- Saiu para a rua (Rui Veloso)
- Vernáculo (UHF)
- Cinderela (Rui Veloso e Carlos Paião)
- Fado do estudante (Vasco Santana)
- A minha geração (UHF)
- Ai Silvina, ai Silvininha (Camané)
- Circo de Feras (Xutos e Pontapés)
- Adeus tristeza (Fernando Tordo)
- Amanhã (Duo ouro negro)
- O charlatão (Sérgio Godinho)
- O menino (Adriano, Quinta do Bill e Amália)
- Menina dos olhos de água (Pedro Barroso)
- O comboio descendente (José Afonso)
- A noite passada (Sérgio Godinho)
- Cavalo à solta (Fernando Tordo e Viviane)
- No sé nada (Rodrigo Leão)
- Canção de madrugar (Hugo Maia Loureiro, Sérgio Borges e Susana Félix)
- Cara de Anjo mau (Jorge Palma)
- O primeiro Dia (Sérgio Godinho)
- Quando a noite já ia serena (Sebastião Antunes e Tito Paris)
- Mulheres (Martinho da Vila)
- Todo o tempo do mundo (Rui Veloso)
- Os vampiros (José Afonso)
- Pura inocência (Pólo Norte)
- O homem do leme (Tim)
- O Fio da navalha (Táxi)
- Salvé maravilha (Banda do Casaco)
- Mudam-se os tempos (José Mário Branco)
- Não tenho mais razões para me queixar (Deolinda)
- Canção de Lisboa (Jorge Palma e JP Pais)
- Desespero (Jorge Fernando)

 Destas realço duas, que aqui repito, como prova de que é possível fazer música com humor e com bom gosto: “As 3 Marias” e “Mundo Cão”. Alguém as ouviu por aí?




sábado, 21 de dezembro de 2013

Versões (2)


"Eu que me comovo por tudo e por nada, deixei-te parada, na berma da estrada. Usei o teu corpo paguei o teu preço, esqueci o teu nome limpei-me com o lenço. Olhei-te a cintura de pé no alcatrão, levantei-te as saias deitei-te no banco, num bosque de faias de mala na mão. Nem sequer falaste, nem sequer beijaste! Nem sequer gemeste, mordeste, abraçaste: - Quinhentos escudos, foi o que disseste! Tinhas quinze anos, dezasseis, dezassete, cheiravas a mato, à sopa dos pobres, a infância sem quarto, a suor, a chiclete. Saíste do carro alisando a blusa, espiei da janela rosto de aguarela, coxa em semifusa. Soltei o travão!

Voltei para casa de chaves na mão, sobrancelha em asa, disse: - "fiz serão" ao filho e à mulher, repeti a fruta, acabei a ceia, larguei o talher. Estendi-me na cama de ouvido à escuta e perna cruzada. Que de olhos em chama, só tinha na ideia, teu corpo parado na berma da estrada, e eu que me comovo, por tudo e por nada..."

(António Lobo Antunes)


Versão 1



Versão 2


sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Gato por Lebre....


“... eu tenho um governo e um tc, e em tudo, são iguais! Mas não tenho a certeza, de qual erra mais.”

Por estes dias, aparentemente, parece que a maioria dos portugueses, pelo menos aqueles que andam por aí aos berros, têm razão para se regozijar. O santo Tribunal Constitucional (tc) obrigou mais uma vez o satanás governo liberal (ou será neo liberal e até fascizoide, como dizem alguns) e explorador de velhinhos, a baixar as orelhas e a meter a horrenda cauda entre as patas traseiras, e, obrigá-los a não mexer nas aposentações dos “pobres” reformados do estado.  

Entre os mais famosos contestatários, a tais investidas do diabinho coelho, estão nomes como o da dona Manuela Ferreira Leite, pequenote Marques Mendes, o senhor Bagão Félix (por quem tinha alguma consideração até se ter tornado um fundamentalista nestas questões), a excelência Alberto Jardim, o destrambelhado Soares, o nosso conhecido doutor Casimiro Meneses, todo clã socrático, bloquista e comunista, e, parece que até o ti Aníbal (já este artola deve estar doente!). Convém dizer que a maioria deste “baronato” iria sofrer cortes mensais entre os 300 e os 600 euros mensais, ou mais (10% das suas míseras reformas). Isto num país que tem, para quem trabalha, um ordenado médio de pouco mais de 900 euros!

Na minha modesta opinião, o que está em causa na contestação desta cambada toda, não é a pena que têm dos que ganham menos, ou da propalada igualdade entre os portugueses. O que eles reclamam, são os seus próprios privilégios em que sempre viveram, e, a sua própria pele. É o terem beneficiado de uma legislação aberrante (feita por eles próprios em tempos de vacas gordas), e certamente inconstitucional (se tivessem sido estes os juízes do tc da altura), que tratou de forma distinta as reformas  da Administração Pública e não só: Bancários, Correios, Empresas semi-públicas, e outras que tais; de todos os outros portugueses da Segurança Social que contribuíram tanto como eles, ou mais, para a parca riqueza do país. Mas que esses mesmos senhores, que agora protestam, foram os legisladores da altura, decidiram aplicar outras fórmulas de cálculo diferentes entre público e privado, mandando a Constituição (que já era a mesma) às urtigas.   

E agora? Agora, e para já, terão que se arranjar entre 400 a 700 milhões de euros noutro lado, porque era o que estas medidas valiam. Como? Possivelmente através do aumento de Impostos, e o mais provável será o IVA. Como consequência, todos aqueles que não pertenciam à corja que cito em cima, terão que contribuir (mas sem darem por isso, como convém), para que eles, os pobrezinhos, sejam poupados.

Exemplo:
A dona Manuela Ferreira Leite, que tem uma Aposentação, salvo erro, de cerca de 3 000 euros mensais, sofreria, com as medidas propostas pelo governo, um corte de 300 euros/mês. O casal “Silva”, que são meus vizinhos e trabalham no «Modelo/Continente», ganham por mês 1 500 euros (750 cada um), não tinha nada a ver com essas medidas e nada pagariam para esse peditório.

Agora, se a alternativa for o aumento do IVA (nem que seja só de 2%), a dona Manuela que gasta 2 000 em produtos sujeitos ao IVA, passará a contribuir com apenas 40 euros mensais (antes eram 300 na aposentação). E os meus vizinhos, que ganham apenas 1 500 euros, que têm 2 crianças pequenas na escola, e, que gastam 1 300 euros/mês em produtos sujeitos ao IVA, irão agora contribuir também com 26 euros, para a coisa.

Se a matemática for uma ciência ainda exacta, ficam a faltar 234 euros (300 – 40 - 26). É fácil, arranjam-se 10 famílias “silva”, ou com outro apelido qualquer. Mas a dona Manuela, o senhor Bagão, o desbocado Jardim, o ti Aníbal, e restante freguesia, ficam-se a rir mais uma vez. Graças a quem? Digam lá em coro: PS + PCP + Bloco + PR + tc. E dizem eles que defendem os mais desfavorecidos!

Claro que aqueles que têm, por exemplo, 700 a 800 euros de Aposentação da Função Pública, e que são a grande maioria, também teriam que contribuir com 70 ou 80 euros (10%); mas o que irão agora pagar a mais em IVA, entre o haver e dever, seria ela por ela, e a sua razão de regozijo só existirá senão souberem fazer contas, e se deixarem ir na onda da enganosa comunicação social, e, dos que andam à caça, e não é propriamente de coelhos.

Eu, cá por mim, até devia ficar também contente, e ir para a rua gritar. Com as medidas do coelho também teria de contribuir com 150 aéreos/mês. Assim, como gasto à volta de 600 euros em produtos sujeitos ao tal IVA, contribuirei com uns míseros 12 euros/mês (se o tal aumento for de 2%, em média). Terei é que arranjar 5 famílias “silva”, para eles pagarem, o que eu não irei descontar.

TA:

1 - Falando a sério, não estou nada contente, e apesar de parecer parvo, acho que era justa a medida do governo. Que por uma questão de justiça social e equidade, seria mais justo eu descontar os 150 euros (e a outra corja os 300 ou 500), que os meus “vizinhos”, que no fundo são: a minha filha, a minha irmã, os meus sobrinhos, e também os meus vizinhos, a contribuírem cada um com os tais 30 euros mensais.

2 – Se eu fosse o Passos Coelho, hoje mesmo teria apresentado a minha demissão. Este povo só vai aprender quando verificar que a coisa não tem outra alternativa. Mas como bons católicos que somos, precisamos de ver para crermos, tal como São Tomé. Que assim seja.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Deuses com pés de barro...


Ouvi hoje pela manhã a Presidenta da Câmara de Portalegre anunciar que o Orçamento para 2014 rondará os 20 milhões de euros (menos 3 milhões que em 2013, para adaptação aos novos tempos). Em minha opinião ainda estará a ser muito optimista, e até um pouco exagerada, já que as últimas Contas conhecidas não se aproximam, nem de perto nem de longe, desses valores: apenas 17 milhões em 2012. As contas de 2013 ainda não são conhecidas.

Mas o que mais me impressionou nas declarações foi o valor da dívida da Câmara Municipal de Portalegre: 41 milhões de euros! E disse ainda a senhora Presidenta, que esse valor era de 52 milhões quando ela iniciou as funções.

Ora esta “herança”, está bem de ver, foi deixada pelo anterior Presidente Mata Cáceres, que abandonou o “barco” a meio da viagem, sem que ainda hoje se saiba muito bem porquê. Como foi possível contrair dívidas 3 vezes superiores às receitas anuais da instituição? Que responsabilidades tiveram esta gente? E ninguém vai preso? Claro que cá ficam os munícipes para pagarem estas loucuras, uma delas é o IMI a Taxa máxima.

Estes foram os “deuses” que nos governaram durante uma série de anos. Ainda me lembro, quando uma vez estava numa reunião partidária autárquica em Marvão, e chegou o rumor que vinha por ali o “deus mata”! Todos se levantaram, abandonando a reunião, para irem à bênção do dito. Claro que eu nem me mexi do meu lugar, mas outro remédio não tive que meter os papéis na pasta e ir à minha vida, pois a reunião terminou ali. Já que, a seguir à bênção, passou-se à veneração, numa qualquer tasca da terra.

Ainda bem que Vítor Frutuoso não se deixou contagiar. Mas esteve quase, bastaria o tal Projecto de construção das 37 Casas para habitação social (3 milhões de euros), e a epidemia alastrava-se. Que é como quem diz: estava a barraca armada!

Dou um doce, se alguém adivinhar, quem era o veículo de contágio....    

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Marvão em números: A Habitação


Desde que o mundo é mundo, ou pelo menos desde que apareceu por aí o projecto humanóide, quando o tal deus se decidiu a correr com ele do éden, que o homem sentiu a necessidade de criar abrigos contra os perigos e intempéries, que esse mesmo deus se encarregou de lhe enviar para castigo, que ao longo da história se foi registando uma evolução nas habitações, quer quanto ao tipo de materiais utilizados, quer de acordo com o tipo e estilos de vida que levavam: nómada ou sedentário.

Até se chegar às casas como hoje as conhecemos, o homem foi evoluindo das Cavernas e Grutas, para as Cabanas e Tendas, e daí para as Casas de pedra e barro, até aos edifícios mais sofisticados que hoje conhecemos. Socialmente, ao ditado “diz-me com quem andas dir-te-ei quem és”; poderemos contrapor o quase: diz-me onde moras que logo te ficarei a conhecer...

Em Portugal, das várias coisas que aumentaram substancialmente nas últimas décadas, uma delas foi a construção de habitação, que a par das vias de comunicação (auto-estradas e afins), fez parte da chamada “política do betão”, em que assentou, possivelmente, a nossa desgraça económica actual. Não que tal não fosse necessário, com certeza que sim, mas não era preciso exagerar. Um país de pelintras que tem 1 alojamento e metade de outro por cada família (e 20% delas só têm 1 pessoa), é capaz de ser de mais, talvez 1 Apartemant/família fosse suficiente, e o restante do que se gastou, na outra metade, talvez tivesse sido melhor gastar, por exemplo, na educação! Digo eu que sou um ingénuo.

Mas como em tudo neste país, passa-se do “8 ao 80”, e foi assim, que existindo algum equilíbrio em 1981, quando a quantidade de alojamentos era apenas 16% superior ao nº de famílias; passou-se para em 2011, esse valor ser de 45% superior; isto é, em 2011 existiam cerca 5,9 milhões de alojamentos, quando existiam pouco mais de 4 milhões de famílias; o que quer dizer, que existem praticamente mais 2 milhões de alojamentos do que famílias. Nos censos 2011 constata-se ainda, que cerca de 1,8 milhões de alojamentos eram segundas habitações, ou estavam desocupados. Como não hão-de achar os nossos vizinhos europeus que somos um povo com pouco juízo?





Assim, como se pode ver no Gráfico 1, passou-se da existência de menos de 3 milhões de alojamentos familiares em 1970, para praticamente 6 milhões de alojamentos em 2011 (Barras cinzentas). O maior aumento registou-se na década de 1981 a 1991 (em 10 anos registou-se um aumento de 24% do nº de alojamentos). No mesmo Gráfico podemos verificar, que apesar de se ter registado um aumento de famílias no mesmo período, esse aumento foi muito menor apenas 59% (Barras castanhas).

 Mesmo com este panorama, e com a crise dentro de casa, entre 2001 e 2011, construíram-se em Portugal perto 550 mil alojamentos, e ainda no ano de 2012 se construíram perto de 30 000 alojamentos.

Um outro indicador, também importante, mostra-nos que em Portugal 73,2% das famílias habitam em alojamentos de “propriedade própria”, e que só 26,8% das famílias referem viver em alojamentos arrendados e outros casos.

No distrito de Portalegre, devido ao despovoamento, estes indicadores ainda são menos abonatórios. Enquanto em Portugal o rácio é de 1,5 alojamentos/família, no distrito esse rácio é de 1,7. Isto é, em 2011 existiam 81.376 alojamentos, enquanto existiam apenas 47.524 famílias (cerca de mais 39 mil alojamentos do que famílias). Os censos de 2011 mostram-nos também que 74,8% das famílias habitam alojamentos de sua propriedade, este rácio é ligeiramente superior à média nacional (73,2%).



(Clicar sobre a imagem para ver melhor)


No Quadro 13 podemos verificar que nos concelhos de Nisa, Gavião, Crato, Alter, Marvão, Arronches e C. de Vide, o rácio de alojamentos/família é igual ou superior a 2., sendo o concelho de Nisa onde esse rácio é o mais elevado (2,3), existem 7 330 Alojamentos para apenas 3 218 famílias. Podemos ainda verificar que nos concelhos de Nisa, Gavião e Crato, quase 90% das famílias vivem em casa de sua propriedade, e apenas cerca de 10% vivem em casa arrendada ou outros casos. 

No pólo aposto encontramos as 3 cidades (Portalegre, Elvas e Ponte de Sôr) e Campo Maior onde o rácio é de 1,5 igual à média nacional. De realçar ainda que, nas cidades de Portalegre e Elvas, mais 30% das famílias vivem em casas arrendadas (ou outros casos). Por ironia do destino, ou talvez não, estes concelhos são aqueles que têm maior poder de compra, maiores salários médios, e melhores níveis de literacia!


... e Marvão?

Marvão, no que toca à temática habitacional, aparece com uma particularidade que me surpreendeu, ao ser dos pequenos concelhos do distrito (juntamente com Arronches), aquele que apresenta o menor indicador para famílias que habitam alojamento de sua propriedade (70,7%). O que quer dizer que, perto de 30% das famílias em Marvão vivem em casa arrendada ou “outro caso”, esta situação é o triplo do que se passa em concelhos como Nisa, Gavião ou Crato.

No que toca ao rácio de alojamentos/família podemos verificar que, esse valor é superior a 2 alojamentos/família, ou seja, existiam em 2011 cerca de 3 000 alojamentos em Marvão, quando a quantidade de famílias eram apenas de 1 474.

Penso que o que fica evidente destes dados é de que Marvão precisará de muita coisa, mas não de mais habitação. Sobretudo e ainda, se tivermos em conta que todos os anos Marvão perde cerca de 50 habitantes, e que esta tendência se irá agravar num futuro próximo (basta fazer um pouco de análise demográfica). 

Penso ainda que, estes dados, me vêm dar razão acrescida, quando em 2011 me manifestei contra o Projecto do actual Presidente querer construir 37 fogos para Habitação Social, "tipo PPP à marvanense" através de um processo muito manhoso (como se pode ler aqui), que onerava o município para os próximos 70 anos, e que foi uma das razões que me levou à demissão da Assembleia Municipal, e do actual projecto de governação em Marvão.

Felizmente que o Tribunal de Contas às vezes está acordado e travou o Projecto. Aqui fica o resumo, para avivar consciências, do que escrevi na altura:

“Sobre o Protocolo com a UNIFE para a construção de 37 Fogos para Habitação Social. A versão simplificada do Protocolo resume-se no seguinte:

O município faculta os terrenos de implantação dos 37 Fogos, faz as infra-estruturas; a UNIFE constrói os apartamentos; a Câmara faz a selecção das famílias carenciadas; em conjunto estabelecem o valor das rendas; as famílias de acordo com os seus rendimentos pagam uma percentagem; a Câmara mensalmente paga um subsídio do restante com dinheiros públicos (que ninguém sabe quanto é); a UNIFE fica proprietária dos fogos durante 70 anos.

Algumas dúvidas e argumentos apresentados:

1 - Tendo Marvão, de acordo com os dados do INE 1 478 famílias e 3 003 alojamentos, (2 alojamentos/família) justifica-se a criação de um projecto de habitação social, com custos de cerca 3 milhões de euros (37 x 80 mil euros cada), que os marvanenses vão ter de pagar, sobretudo com impostos, nos próximos 70 anos?

2 - Não seria melhor apostar na Recuperação de algumas casas degradadas, já que elas existem, em vez de estar a fazer novo, com todas as implicações ambientais que a isso obrigam.

3 - Qual vai ser o valor total mensal que o município vai ter de pagar à UNIFE para ajudar nas rendas?

4 - E se essa famílias carenciadas, não puderem cumprir os seus compromissos devido ao agravamento da crise que se prevê? Paga o município a totalidade? Faz despejos?

A maioria dos esclarecimentos do Presidente foram vagos e passou-se à votação.

A proposta foi aprovada com 8 votos a favor do PSD; 6 votos contra (4 do PS, 1 do “Juntos por Marvão” e o meu); e uma abstenção de um dos Membros do PS. Não votou Gomes Esteves, porque teve necessidades pessoais de sair mais cedo da Reunião.”

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

(In) Constitucionalidades...

Afirmações do Dr. Jorge Bravo, Especialista na área de Segurança Social (Universidade de Évora), ontem no Programa “Olhos nos Olhos” da TVi 24:

“ – Actualmente em Portugal, de acordo com a Legislação vigor, um cidadão que tenha começado a trabalhar e a descontar aos 30 anos de idade, e tenha agora 65 anos, pode aposentar-se sem qualquer penalização. Em contrapartida, um outro cidadão com os mesmos salários e descontos, que tenha começado a trabalhar aos 15 anos de idade, e tenha descontado ao longo dos mesmos 35 anos, depois de se aplicarem as penalizações da idade e o factor de sustentabilidade, tem de aposentação ZERO!...”

Onde andariam os juízes do Palácio Ratton, tão atentos que andam agora, quando permitiram a aplicação deste princípio de igualdade?

E claro, eles, os tais juízes, basta que descontem 10 anos, e venha a dita por inteiro, independentemente da idade! Exemplos: A presidenta da Assembleia da Republica.

TA: Eu sei do que estou a falar, porque senti esta constitucionalidade na pele.

domingo, 15 de dezembro de 2013

TSU´s e afins: Opinião

Foi notícia esta semana (divulgado através de um estudo universitário), embora merecendo pouco relevo noticiário, como tudo o que é importante em Portugal (o que interessou esta semana foi o mandela, os beijos nos bêços das suas esposas, e afins), que as alterações ao Código do Trabalho em 2013 terão transferido da esfera dos trabalhadores para os bolsos dos empresários e das empresas cerca de 2 mil milhões de euros.

Diz ainda esse estudo, que tal verba é sensivelmente igual à que teria rendido a gorada proposta de alteração da TSU (que previa passarem a pagar os trabalhadores parte do que pagavam as empresas), que tanta celeuma provocou no panorama mediático nacional quando foi proposta no verão de 2012. Este estudo só vem demonstrar que há muita maneira de matar pulgas, desde que isso não seja evidente para a “liga” defensora dos insectos.

Numa altura que tanto se fala de desinvestimentos, de descapitalização das empresas e dos empresários, da falta de financiamento dos bancos, a injecção na economia real de 2 mil milhões de euros (financiados pelos trabalhadores), deveria ser uma grande “alavancagem” (como dizem os economeses), na dita. Mas parece que tal quase passou desapercebido.

O que eu temo, é que o nosso nobre empresariado, tal como reza o costume, é que em vez de capitalizarem as tais empresas, ou liquidarem algumas das dívidas que abundam por aí; utilizem estas verbas para comprarem mais uns carrinhos de recreio topo de gama (por isso aumentarem as suas vendas), ou os vejamos, nas revistas cor-de-rosa, a gastar estas “notas” em grandes farras, de fazer crescer água na boca aos papalvos, no próximo “fim de ano” bem longe do solo pátrio, e, daqui a um mês, estarem a reclamar investimentos por parte do Estado (isto é dos contribuintes, os mesmos que já financiaram estes 2 milhões), para alavancar a economia e aumentar o poder de compra.


TA: Ainda não me converti ao comunismo, mas gosto de equilíbrios e, sobretudo, de justiça!        

sábado, 14 de dezembro de 2013

Leituras de fim-de-semana....

Macacos me mordam
por Rui Rocha, aqui.

“Diz uma lenda que um Deus, desses que proviam a algum povo primitivo, terá recebido um dia, em audiência, uma delegação de macacos. Traziam-lhe uma única reivindicação: queriam tornar-se homens. Viu-se assim o Deus em apertos pois, não querendo desagradar à macacada, também não via com bons olhos um tal desenlace.

Conservador seria, pois que estava ainda preso a uma visão do mundo em que aos macacos correspondia o seu galho. E é possível até que existisse, que sabemos nós, uma cláusula de exclusividade da condição de humanidade, assinada pelo punho do próprio Deus, assegurada em contrapartida de todas as penas, provações, angústias e privações que em geral calham ao Homem pela tão simples razão de ser humano. Foi assim que o Deus, incómodo na cadeira, acabou por mandar a simiesca representação, é um dizer, pentear os outros macacos. Não com estas palavras, claro está, para não ferir susceptibilidades. Já então, nesses começos deste nosso mundo, a questão dos sentimentos dos animais era tratada com pinças. Até porque eram tempos em que eles próprios falavam, verbalizando quanto lhes fosse na alma, que já então a tinham e bem sabemos que é assim porque entretanto não a perderam.

Foi deste modo que o Deus, entalado como estava, prometeu aos macacos que estes se tornariam homens (e mulheres se fossem macacos fêmeas pois que, por esse então, as únicas questões fracturantes incluídas na agenda mediática diziam respeito ao divergir das placas tectónicas) logo que, passada a noite que já se avizinhava, raiassem os primeiros afagos de sol sobre aquela parte do planeta que, por direito próprio e natural, era também dos macacos. E assim foram os ditos à vida deles. Com o rabo entre as pernas, não porque a reunião lhes tivesse corrido mal, bem pelo contrário, mas porque era esse o lugar onde lhes era naturalmente mais confortável tê-lo.

O certo é que assim que o Deus tirou os macacos de debaixo do nariz (tirá-los de dentro é coisa de homens, imprópria da condição divina) pegou na trouxa onde guardava os prodígios, que eram basicamente trovoadas, aguaceiros e acentuado arrefecimento nocturno, e foi ganhar a vida para outras paragens estabelecendo-se, ao que se sabe, junto de uma tribo que vivia por alturas do local onde hoje é Roma. O certo é que os macacos, que mal pregaram olho, viram ao nascer do dia toda a sua ilusão defraudada. E começaram em guinchos angustiados e desesperados urros. Coisa que, por esse único e exacto motivo, ainda hoje fazem, tal como podemos comprovar, à falta de melhor, no zoológico mais próximo ou em qualquer filme do Tarzan.

Ora, pelo que leio, têm por estes dias os juízes do Supremo Tribunal de Nova Iorque a oportunidade de, com uma só decisão, reporem a Justiça, substituindo-se ao Deus incumpridor e a Darwin. Basta para tal que reconheçam a um chimpanzé, representado pelo seu advogado, o direito de ser considerado pessoa jurídica. Isto é, ali onde o tal Deus não foi sequer capaz de escrever direito por linhas tortas, pode o bom Tribunal estabelecer uma linha recta entre o chimpanzé, a ética e o fundamento ontológico. Se for assim, os macacos poderão finamente substituir os ontens que guincham e urram por manhãs em que cantam. Trata-se, se virmos bem, de um pequeno passo para a humanidade e de uma patada de gigante para os macacos.

Temo, todavia, que os motivos para festejar sejam efémeros. Se está demonstrado que um macaco com um teclado acabará mais tarde ou mais cedo por escrever uma obra de Shakespeare, nada impede que um outro, mais peludo, descubra um dia, tal como Kant, os pressupostos tortuosos da culpa e da obrigação. A pessoa jurídica macaco, então já unanimemente reconhecida nos códigos legais, deixará de ser um mero portador de direitos para passar a ser também, tal como os homens e as mulheres, sujeito (por oportuníssima contraposição a objecto) a deveres e punições. Ora, ou me engano muito ou isso poderá significar, mais cedo do que tarde, o fim da macacada.”

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Versões (1)


Esta versão:



De mãos nos bolsos e de olhar distante, jeito de marinheiro ou de soldado, era um rapaz de camisola verde, negra madeixa ao vento, boina maruja ao lado. Perguntei-lhe quem era e ele me disse: “Sou do monte, Senhor, e um seu criado”. Pobre rapaz de camisola verde, negra madeixa ao vento, boina maruja ao lado.

Porque me assaltam turvos pensamentos? Na minha frente estava um condenado! Vai-te, rapaz da camisola verde, negra madeixa ao vento, boina maruja ao lado. Ouvindo-me, quedou-se o altivo moço, indiferente à raiva do meu brado, e ali ficou de camisola verde, negra madeixa ao vento, boina maruja ao lado.

Soube depois ali que se perdera, esse que só eu pudera ter salvado! Ai do rapaz da camisola verde, negra madeixa ao vento, boina maruja ao lado.

Ai do rapaz da camisola verde...



Quem não gostar? Tem esta:





Ou experimentem misturar!

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Transparência e Integridade: Exige-se em todas as actividades do Estado...


Paulo Morais em plena Assembleia da República:





E em Marvão?

Um dos Vereadores detém várias empresas, e disso dá conhecimento aos Órgãos Autárquicos. O Presidente, com atribuições e poderes no Pelouro das Obras, entrega por administração directa, às empresas do Vereador algumas obras. O Presidente diz que não sabia que as empresas eram do Vereador, quando tal é público e até um miúdo de 10 anos sabe isso! O Vereador diz que só soube da adjudicação da obra quando a dita já estava a decorrer, mas "esqueceu-se", mesmo nessa altura e após ter sabido, de dizer ao Presidente. Parece que o Presidente aceita a versão, porque nada fez.

O caso é denunciado na Assembleia Municipal pela Oposição, mas a mesma, diz que por ora estão desculpados, desde que a coisa não se repita, ou o Vereador (como a oposição lhe sugeriu) passe as empresas para o nome dos familiares (o que parece que já fez), e desde que se comprometa a “contratar” um colega da corporação de quem denunciou a irregularidade. O Presidente comprometeu-se, na Assembleia, a mandar parar a Obra (depósito da água do Vale Ródão), mas parece que a obra está quase pronta, e executada pela dita firma (propriedade do Vereador),

E agora, quem paga os 40 000 euros da Obra? Hipóteses:  

A - O Presidente
B – O Vereador
C – A Oposição
D – Nenhuma das anteriores: Os contribuintes!


A bem da nação, que parece que não aconteceu nada....   

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Marvão em números: Funcionários do Poder Local


Volto hoje à saga de “Marvão em números”. Este será o 8º Post sobre esta temática, e abordarei a questão dos Funcionários da Administração Local do distrito de Portalegre.  

Nota Prévia: Os números citados são, creio, muito aproximados (alguns são estimativas), mas creio que bem perto da realidade. Se alguém tiver outros, cheguem-se à frente para os confrontarmos.

Convém ter em conta, ao analisar este tema, que o distrito de Portalegre tem 3 concelhos que englobam cidades (Portalegre, Elvas e Ponte de Sôr), onde existe uma população que vive em maiores aglomerados habitacionais, e onde o número de funcionários/habitante é naturalmente menor. Os restantes concelhos são pequenas comunidades com menos de 5 000 habitantes (10 concelhos), e 2 deles (Campo Maior e Nisa) são populações intermédias que rondam os 8 mil habitantes. Como consequência, é normal que o rácio funcionários/habitantes, seja maior nos pequenos concelhos, pelo que, os concelhos das 3 cidades, deverão ter uma análise diferente dos restantes, e que aqui não faço.

Em Setembro de 2013, de acordo com a Direcção Geral da Administração Local (DGAL), trabalhavam na Administração Local em Portugal 121 000 funcionários, uma média de 12 funcionários por cada 1 000 habitantes. Desde 2010 a Administração Local perdeu cerca de 15 000 funcionários (12% do total); quer dizer que, por essa data, seriam cerca de 136 000 os funcionários das Câmaras Municipais. Os concelhos com rácios mais elevados de funcionários/habitante no Continente são: Mourão (cerca de 68 funcionários/1 000 habitantes); e Alcoutim (61 funcionários/1 000 habitantes), logo a seguir aparecem alguns concelhos do nosso distrito, como Monforte e Castelo de Vide, como veremos a seguir.



(Clicar sobre a imagem para ver melhor)


No Quadro 12, podemos verificar, que em Setembro de 2013 trabalhavam na Administração Local do distrito de Portalegre 2 547 funcionários públicos; tendo em conta que a população estimada para o distrito seria de 116 376 habitantes, temos um rácio de cerca de 22 funcionários/1 000 habitantes (superior em 10 funcionários do que a média nacional); podemos ainda verificar que, nos últimos 3 anos (desde 2010), o total de funcionários no distrito diminuiu em 315, igual à média nacional 12%.

Os Concelhos de Monforte, C. de Vide, Alter e Avis, têm mais de 40 funcionários/1 000 habitantes; sendo que Monforte é o líder do ranking distrital (47,2 funcionários/1 000 habitantes), e está dentro dos 5 primeiros a nível nacional. Monforte trocou, nos últimos 3 anos, com Castelo de Vide que ocupava então o 5º lugar a nível nacional (entretanto saíram 29 funcionários), e desceu algumas posições no Ranking nacional liderado actualmente por Mourão (distrito de Évora).  

Analisando melhor o conjunto dos 15 concelhos do distrito (deixando de lado as 3 cidades), e tendo em conta que as populações são muito parecidas, e têm necessidades idênticas, verificam-se diferenças inexplicáveis entre concelhos semelhantes. Assim, não se percebe como é que:

- Monforte precisa de 47 funcionários/1 000 habitantes; e os vizinhos de Arronches têm apenas 28 funcionários/1 000 habitantes.

- O mesmo se passa em Castelo de Vide com cerca de 43 funcionários/1 000 habitantes; enquanto Fronteira, resolve os problemas com apenas 26 funcionários/1 000 habitantes.

- Ou Alter, que precisa de 40 funcionários/1 000 habitantes; enquanto Sousel apenas precisa de 27 funcionários/1 000 habitantes para o seu concelho.

Observando o Gráfico 1, e quem conheça o distrito e as suas populações, terá muita dificuldade em explicar a disparidade dos dados aí plasmados. Como é possível que concelhos idênticos precisem quase do dobro de funcionários para fazerem o mesmo?

Certamente o recrutamento de pessoal nos concelhos, em nada terá a ver com necessidades da população, mas sim com outros valores. Infelizmente, não existe qualquer órgão que supervisione, controle e que ponha esta gente na linha, que funciona sem critérios, e vê no recrutamento de pessoal uma forma de comprar votos de 4 em 4 anos. Entretanto todos nós vamos pagando, e não é pouco! Estimo que as despesas com pessoal da Administração local no distrito de Portalegre, deverão rondar entre os 45 e os 50 milhões de euros /ano, cerca de 35% das despesas totais do conjunto dos municípios.   
Marvão, neste tema, parece ser um concelho equilibrado, mesmo apesar de ser um dos mais dispersos e com uma geografia complicada (diferente de todos os outros no distrito, e onde, certamente, as necessidades populacionais serão maiores). Tem actualmente 100 funcionários, num rácio de cerca de 29 funcionários/1 000 habitantes. Dos concelhos com populações idênticas apenas Arronches; Sousel e Fronteira (que são concelhos mais concentrados e com geografias mais favoráveis), têm melhores rácios.

As despesas com pessoal da CM de Marvão, para o ano de 2014, estão estimadas em 1,8 milhões de euros e representam cerca de 35% das Despesas Totais do município, o que quer dizer que dará um custo médio de 18 000 euros/funcionário (não esquecer custos com contribuições para CGA, ADSE e outras).

Conclusões:  

- Portugal terá aproximadamente cerca de 121 000 funcionários públicos na Administração Local, uma média de 12 funcionários por cada 1 000 habitantes. Nos últimos 3 anos este pessoal teve uma diminuição de 12%; e os custos totais com este pessoal será, aproximadamente, de 2 mil milhões/ano.

- O distrito de Portalegre terá à volta de 2 547 funcionários na Administração Local; com um rácio de cerca de 22 funcionários/1 000 habitantes (superior a 10 funcionários que a média nacional); podemos ainda verificar que, nos últimos 3 anos (desde 2010), o distrito tem menos 315 funcionários. Os custos totais com este pessoal, rondarão entre os 45 e os 50 milhões de euros/ano.

- No distrito de Portalegre, existem grandes disparidades no número de funcionários/habitante em concelhos idênticos (chegando quase ao dobro), veja-se o exemplo de Monforte (47), com os concelhos vizinhos de Fronteira (26), e Arronches (28). Quem explica esta aberração? Se as estimativas dos meus números estiverem correctos, isto quer dizer que Monforte terá custos de cerca de 2,8 milhões de euros com pessoal; enquanto Fronteira e Arronches não irão além dos 1, 6 milhões. Ora isto faz toda a diferença na gestão de uma instituição, mesmo que se trate de uma Câmara Municipal, que é paga por todos nós.

- Marvão encontra-se a meio da Tabela do distrito, no que toca a funcionários/habitante (sendo um dos 3 melhores, dos pequenos municípios); tem 100 funcionários, num rácio de 29 funcionários/1 000 habitantes. Para o ano de 2014 estão previstos custos totais com pessoal (a este 100 há que juntar os eleitos) de cerca de 1,8 milhões de euros, numa média de 18 000 euros/funcionário.

Por fim, sei perfeitamente, o que muitos estarão a pensar: que serviços prestarão estes funcionários às populações? Serão idênticos? E a contratação de serviços externos, será igual em Arronches ou Monforte? E em Marvão, a quantidade de “satélites” que gravitam em volta da “coisa”, como “Terras de Marvão” e outros que tais; e não existirão coisas idênticas em Monforte, Arronches ou Gavião?

A esses eu respondo: Investiguem, e dêem a conhecer! A malta agradece...