quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Ai esta merkel tem cá cada uma...



Esta fräulein não se atura, e não diz coisa com coisa! Então Portugal e Espanha têm licenciados a mais? Que parvoíce, claro que não têm! 

"Um vizinho do meu pai também dizia que não tinha burros a mais, não tinha era nada para lhes dar que fazer! Por isso, os ditos, era coice que até fervia. Dizia-se que era do «vício»."


Mas então pergunto eu, se não temos licenciados a mais, então porque é que existem tantos desempregados com Ensino Superior? E só não são muitos mais, porque têm emigrado como as aves. Note-se que, "desempregados", é o que por aí não falta. Mas os "licenciados desempregados" são em muito maior percentagem, dizem!

Se olharmos para o Gráfico 1 podemos verificar que, desde o ano 2000 o desemprego em jovens com o ensino superior não tem parado de aumentar, afectando em 2012 praticamente 40% dos jovens entre os 15 e os 24 anos. E nestes dois últimos anos, apesar de ter descido um pouco, de acordo com os últimos dados esses valores continuam superiores a 30%. Contrariamente ao que se tenta também fazer crer, parece que o problema (apesar de ter sido agravado), não é apenas deste governo e da troika, já que como se pode ver no Gráfico, desde 2000 que o percurso parece uma daquelas etapas de montanha na volta à França em bicicleta.


Podemos ainda observar que, mesmo quando comparamos os "jovens licenciados", com os jovens da mesma idade apenas com "ensino secundário completo" (apesar destes terem pouca formação profissional), o desemprego afecta sempre mais significativamente os jovens licenciados. Isto para já não questionar onde estão a trabalhar muitos dos licenciados? Muitos dos quais em caixas de hiper-mercados, balcões de centros comerciais, e coisas que tais.

Com o que acabo de afirmar em cima, não faltarão aqueles que, pelo menos, me estarão a acusar de estar a apelar à iliteracia e/ou mesmo ao analfabetismo, mas estão enganados. O que eu defendo é que, há muito, este país deveria ter algum planeamento, porque os recursos são poucos, e sempre foram. Desbaratá-los com o que não precisamos só para dizermos que temos muitos "dotôres", para subirmos nos "rankings", não me parece lá grande coisa, que é como quem diz uma boa política de formação.

Mas então o que fazer? Isso deve ter sido o que a merkel também disse, mas isso não interessa aos papagaios do regime, incluindo o até ministro Crato, que tão “acagachado” anda pelo Mário Nogueira & companhia, que até ele veio alinhar no coro. 

Assim não Crato, digo eu agora! E perdeste mais um apoiante.

O que este país deveria planear é quantos licenciados, ou outro grau académico precisa, bem como áreas que deve privilegiar. E depois, por mãos à obra e formar. Abandonar a massificarão que só trás problemas. E também não chegar sempre atrasado às mudanças, como  aqui já escrevi, e que se está a verificar em outros países que já perceberam o que se está a passar na área da formação há muito tempo, e mudaram de rumo. 

Observe-se, no Gráfico em baixo, o que se passava já em 2008 neste conjunto de países em análise. A Alemanha, a Holanda, e a Dinamarca, já mudaram há muito o seu paradigma de formação. Portugal ainda não percebeu, e parece que vai levar muito tempo a percebê-lo. Porque o que é preciso é privilegiar a quantidade de "dotôres" (os tais licenciados).

O que os governantes e os governados (sobretudo os jovens) se deveriam preocupar, era se o que se anda a aprender vai servir para ganhar o pão no futuro, e se possível os restantes bens de consumo. Ter um canudo para pôr na parede não dá, muitas vezes, para nada, sobretudo, se for numa área que ninguém precisa. Não vale a pena "servir" teatro ou ópera a famintos. 

Muitas vezes uma boa formação profissional, numa área de carência, será bem mais importante que o tal "canudo". E isto, o Estado, enquanto gestor do dinheiro dos contribuintes, tinha a obrigação de dar alguma orientação. Claro que ninguém seria obrigado a segui-la, desde que os custos saíssem do seu bolso particular. Parece-me elementar.


Talvez se esse tal vizinho do meu pai, tivesse resolvido substituir os “burros” por algumas vacas, porcos, galinhas, ou mesmo “patos”, talvez a coisa se tornasse mais rentável, e, evitaria de andar a levar uns coices no “focinho” de vez em quando...

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